CENA
Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Cine Limpo

 

Bem-vindos a “Cine Limpo”, a nova crónica semanal do CENA, onde a sétima arte será discutida de forma civilizada, asseada e sem fanatismos. Nesta semana de estreia, por razões pessoais (testemunha num processo de abuso de confiança), não pude ir ao cinema, de maneira que, ao invés de tecer um ensaio crítico a uma qualquer película actualmente em cartaz em pelo menos dez capitais de distrito nacionais, optei antes por abordar a cerimónia dos Oscar™ - que acompanhei pelo youtube passado uma semana em dezasseis bocados de cerca de nove minutos e 58 cada - e seus vencedores. Confesso que me fazem aflição os prémios que implicam a subida ao palco de mais que uma pessoa – sobretudo quando, apesar de subirem dezenas, só há um Oscar™ na mesma -, de maneira que vou comentar, antes de mais (mas também apenas), os prémios de representação.

 

Kate Winslet arrebatou o galardão para melhor actriz, vestindo a pele de uma alemã que, no pós-Segunda Guerra Mundial, era pica do eléctrico e se enrola com um garoto que, uns tempos antes, tinha vomitado no hall de entrada de seu prédio. De notar que depois o garoto cresceu e ficou o Ralph Fiennes, ao passo que a Kate Winslet ficou na mesma a Kate Winslet, mas mais velha, com lenços na cabeça e xailes. Já o galardão de melhor actor, apesar de ter ido para Sean Penn e a sua interpretação de Harvey Milk (um activista homossexual que chegou a usar, em simultâneo, rabo de cavalo, calça e casaco de ganga, arrasando por completo a noção de que os gays primariam pelo bom gosto), deveria ter ficado com Frank Langella (fez de Nixon – uma pessoa que já morreu – e usou o verbo “Fornicate” no gerúndio, ainda que apenas por uma vez em todo o filme) ou Mickey Rourke (que pagou sessenta dólares por uma lap dance da Marisa Tomei – achei algo carote -, além de ter cortado um dedo na máquina de fazer fatias de fiambre).

 

Angelina Jolie é que, apesar de ter dito “this is not my son” algumas sete mil vezes, foi para casa de mãos a abanar, tal como o seu marido Brad Pitt, que foi protagonista dum filme onde mais parecia que o argumentista tinha feito uma aposta de dinâmica igual ou semelhante a “vejam como eu consigo pegar nesta premissa genial e, mesmo assim, escrever um dos guiões mais chatos de sempre”. Se fez, ganhou. Finalmente, o Oscar™ de melhor actor secundário foi para o malogrado Heath Ledger (“Eia, só porque morreu”, dirão as más línguas, “Eia, ganhava na mesma, dirão os fãs, “Eia, agora era tudo mentira e ele aparecia”, terão dito os que sobram), mas tive pena pelo Philip Seymour Hoffman, porque seria a primeira pessoa com fato de gala e gorro da Lightning Bolt a ir receber o galardão máximo da Academia. Máximo, é como quem diz, que até era o de actor secundário.

 

De notar ainda que o de melhor actriz de suporte foi para Penélope Cruz, e que, entre as suas palavras aparentemente inglesas ditas num sotaque espanhol que parecia a gozar, me lembrei duma aposta que fiz em 1997 com um vizinho: teimei eu que, Mimi Rogers à parte, todas as actrizes que mantiverem relações sérias com Tom Cruise ganharão um Oscar™ eventualmente, mas só depois de já não terem nada com ele. Apostámos um murro com força nos rins, que na altura me parecia a melhor coisa do mundo. Portanto, e logo após o discurso de Penélope, fiz fotomontagens da Katie Holmes a comer outros gajos (usei a série “Dawson Creek” como base e meti uma data actual nas fotos). Resta-me esperar pelo divórcio e que a Katie Holmes faça de Anne Frank. Depois disso, é o Tom Cruise morrer e vai haver um rim a sentir o meu punho fechado.


Voltarei para a semana com uma crónica analítica a incidir sobre um filme, o qual, para aquelas pessoas que não gostam de ler e só vêem as estrelinhas, classificarei com estrelinhas.

 

Crítico Cine Limpo

T.C.



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Comentários

De mir a 7 de Março de 2009 às 11:12
Não acredito mt em 'estrelinhas' (principalmente quando são meros jornalistas a usá-las, o que não é o caso)
Tenho a certeza que esta crónica foi escrita por Pedro Santo.


De Pinóia a 6 de Março de 2009 às 19:33
Muito bom


De César a 6 de Março de 2009 às 15:36
Crítica de cinema é bastante abichanado.


De Xavi a 6 de Março de 2009 às 09:04
O texto é muito grande não vou ler isto...
Críticas a cinema sem estrelas não são críticas.


De Alexandre Kulcinskaia a 5 de Março de 2009 às 14:20
Está assim assim...
Fiz como os críticos de cinema, que quando gostam muito mas têm vergonha de ser gozados pelos amigos também dizem que o filme está assim assim.
_________________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/


De Tuxa a 5 de Março de 2009 às 14:09
Por acaso eu já vi esse filme com o Brad Pitt e não estou nada arrependida , gostei imenso! E quanto ao dinheiro dos bilhetes de cinema , eu q até sou adepta de ver filmes em casa (xiuu não digam a ninguem) , achei q o dinheiro valeu a pena: não só pelo filme mas tb visto q dura qase 3horas , aproveita-se bem o dinheiro q se paga x)

Grande crónica , espero q seja para continuar durante muito tempo! ;)


De Miguel Peres a 5 de Março de 2009 às 13:48
Isto tá absolutamente brutal! Continuem o bom trabalho!!!


De Natacha a 5 de Março de 2009 às 13:44
Estava para ir ver esse tal filme do Brad Pitt.

Com isto, fiquei na duvida, ainda por cima era no cinema e aquilo é assim para o caro.

Talvez não vá e espere pelo dvd para alugar, sempre são menos uns euros.

Obrigado por esta crónica, evitou uma decisão possivelmente precipitada.


De José Paulo Cotovia a 5 de Março de 2009 às 10:23
Já faltava neste blog uma critica ao cinema, continuem o trabalho.


De Nuno Rodrigues a 18 de Março de 2009 às 23:48
Curioso... Ainda ontem falava com uns amigos meus, no famoso café Tropical, sobre o Benjamim Botão e falava-se exactamente de o guionista ter pegado naquilo que podia ser um conceito genial e de o ter deitado a perder estupidamente, passado algum tempo chegamos aos Oscars e eu vi-me obrigado a repetir a frase que retive dessa cerimónia que foi "Has anyone ever fainted here? cause i think i'm going to be the first one!" [a fonético disto é tipo hazz everióne éverrr fáintade hiar case i tink i'm going tobi the faste uáne]

Cá para mim o Moreira tava lá no Tropical e eu não o vi e ele achou tao bonita a minha imitaçao que decidiu fazer uma cronica com isto.


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