CENA
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Exterminador Implacável: A Salvação

 


Terminator Salvation

Qualquer pessoa de bem ficaria logo horrorizada se, em vez de trailers, tivesse passado uma versão, pelos vistos integral, dum anúncio abjecto a uma cerveja que, valha-lhe a coerência, se lhe equivale no nível de abjectice, e que segue a emética narrativa do “eh pá, é fim-de-semana e reparem como nós somos todos tão estilosos e nos divertimos tanto à noite, isto apesar de, calma, também sermos sensíveis, não somos nenhuns jagunços bêbados, e até tiramos fotografias a preto e branco quando está a chover, tudo isto ilustrado com uma cantiga de rock chorão, que, futuramente, pessoas atrasadas mentais dedicarão a outras pessoas atrasadas mentais nas redes sociais da Internet”. Portanto, vamos fingir que isto não aconteceu e tentar analisar o filme, que não tem culpa nenhuma, mantendo a cabeça fria. Ora, realizado por um tipo com nome de canal de música – o que é, convenhamos, um belo princípio -, este filme desenrola-se em 2018, ano em que John Connor, emblemático líder da resistência humana contra as máquinas más, tem a cabeça a prémio, sendo que a cabeça, desta feita, é a do actor Christian Bale. Essencialmente, é pena que os terminators façam cada vez menos jus ao nome e mais pareçam bullies de liceu, uma vez que passam 90% do seu tempo a atirar as pessoas contra cacifos, ainda que aparentemente feitos de folha de alumínio. Há explosões grandonas – de resto, meter tudo a explodir parece ser a segunda opção para o que quer que seja, logo a seguir a “oh, manda-lhe uns tiros a ver o que acontece” -, há um terminator grandão (que sim, é tão absurdo quanto soa, quiçá mais, sobretudo em voz alta, aos berros), para aí do tamanho dum prédio, daqueles só com dois andares, mais caseirinhos, e, na verdade, ficamos com a sensação que, tivesse o Wolverine aparecido a qualquer momento, até faria sentido. Não sei explicar, mas se ele tivesse aparecido do nada, a arranhar terminators, o meu grau de admiração seria 6/20, o que é manifestamente pouco. Mas nem tudo são más novidades, e há que louvar de forma entusiástica o facto de, finalmente, se poder ter tido acesso directo ao estímulo visual único que constitui o meter os olhos num terminator que usa uma fita na cabeça. E nem sequer é um boss final ou assim, é apenas um terminator genérico que usa uma fita na cabeça. O que se retira daqui é que nem as máquinas mais avançadas estão livres do mau gosto. Podem-nos matar, robots, mas as nossas modas labregas viverão para sempre! Chupem, máquinas!

 

O melhor de Exterminador Implacável: A Salvação: além do terminator com uma fita na cabeça – que é, não só a melhor cena deste filme, mas a melhor de toda a história do cinema pós-1982 e pré-1965 -, há a destacar o facto de, através da acção de Jonh Connor, termos ficado a saber que, no futuro, quaisquer dois cabos eléctricos numa fábrica permitirem levar a cabo uma reanimação cardiopulmonar de emergência, o que permitirá poupar bastante dinheiro em desfibriladores. É que aquilo ainda é caro.

 

O mais ou menos de Exterminador Implacável: A Salvação: em 2018 só há cantigas dos anos 90, e o plural aplica-se porque, com efeito, serão apenas duas. Um revivalismo 90’s é sempre uma boa notícia, mas não tão boa ao ponto de não ser também apenas uma notícia mais ou menos e ser, em vista disso, inserida nesta categoria em concreto. Assim com’assim, é já daqui a nove anos.

O pior de Exterminador Implacável: A Salvação: confesso que, entre tanta ida ao futuro e questões sobre linhas temporais que possuem o condão exclusivo de me fazer doer a cabeça em segundos a tentar percebê-las, tinha a secreta esperança que Jonh Connor viesse a descobrir que era, afinal, o seu próprio pai. :(

 

Classificação: 5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.



publicado às 00:00
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Comentários

De Eddie a 1 de Julho de 2009 às 10:33
Vi o filme e não dei conta do Terminator com fita na cabeça. Em que cena é que ele apareceu????


De anonimo08 a 21 de Agosto de 2009 às 16:53
acho que é naquela cena em que ele está nos preliminares com a rapariga :)


De Tronic a 6 de Junho de 2009 às 11:56
tinha a secreta esperança que Jonh Connor viesse a descobrir que era, afinal, o seu próprio pai. - Ele sabe.


De gana a 6 de Junho de 2009 às 13:49
Ele sabe o quê?


De Jacinto a 5 de Junho de 2009 às 21:00
Mau anúncio diferente de má cerveja

bem como

Bom anúncio diferente de boa operadora móvel



De Alexandre Kulcinskaia a 5 de Junho de 2009 às 18:11
Não é por nada mas aqui há uns tempos o Nuno Markl falou desse assunto da cerveja numa das rubricas dele na rádio...
_________________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/


De Jacinto a 5 de Junho de 2009 às 13:24
mouros


De obshxmexidshx a 5 de Junho de 2009 às 11:14
Está muito bom, mas a melhor parte é sem dúvida a da cerveja! Curiosamente fiquei a conhecer (e posteriormente a evitar) essa música quando o Nelso (o Évora) ganhou a medalha em Pequim e passava de 5 em 5 minutos o Nelso (o Évora) a saltar em câmara lenta ao som dos grunhidos da dita cuja...


De senhor patrao a 5 de Junho de 2009 às 20:09
So pelo teu comentario ja sei qual é a musica lol.
Sempre me referi a ela pela musica do Nelson Evora tambem, pelo porradão de vezes que passaram os ditos cujos saltos do Nelson na tv em camera lenta, qual Matrix qual que.

Epa em relaçao a rubrica: Pelo sim pelo não vou comprar carradas de mp3 e enche-los de musicas. Depois quando so houverem duas musicas, e ambas dos 90s, vendo os mp3s e faço fortuna.


De A Besta a 5 de Junho de 2009 às 11:01
Olha que estão enganados, João Cónor é de facto o seu pai, mas é apenas pai pela parte da mãe, isto porque a outra metade é dele próprio.


De Pipas a 5 de Junho de 2009 às 11:00
Sim senhor, tenho de admitir que também eu tinha a esperança de John Connor ser seu próprio pai! Embora isso levasse a toda uma conjectura na estrutura genética do indivíduo a cada concepção, resultando num líder cada vez mais achacado com deficiências do foro motor e mental...


De Anónimo a 5 de Junho de 2009 às 09:51
Principalmente a da cerveja. Acho que esta foi perfeita.


De Anónimo a 5 de Junho de 2009 às 08:27
não devia fazer isto mas não consigo deixar de o dizer. esta está muito boa. esta está. palavras giras.


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