CENA
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
A Ressaca

 

 

The Hangover

 

Pela primeira vez na história do Cine Limpo, o crítico Cine Limpo teve um convite - e duplo, para poder ficar mais à vontade, à larga e sem necessidade social de alternar o usufruto do apoio braçal - para a antestreia dum filme. Convites costumam ser coisas boas e, sobretudo isso, “de graça” costuma ser característica para botar um sorriso nos lábios seja de quem for. Excepção: ser em Oeiras. Uma coisa de graça, sendo em Oeiras, perde qualquer tipo de mais-valia e, assim sendo, o crítico Cine Limpo não pôde ir por razões de força maior. Não é nada contra Oeiras especificamente, que, por exemplo, Carnaxide seria igual. Aliás, bastaria ser em qualquer lugarejo onde não chegue Metro (ou chegue e não fosse suposto, como Amadora e afins) para o crítico Cine Limpo torcer o nariz. Linha vermelha também já implicaria bufares constantes durante todo o caminho, mas, enfim, seria suportável. Portanto, o crítico Cine Limpo acabou por ver o filme como qualquer civil, ontem. Para começar, não deram trailers, logo, não devem haver estreias para a semana ou nos próximos tempos. De outra forma, não faria sentido o cinema não promover os seus próprios produtos e preferir deixar as pessoas dez minutos a olharem para o boneco. Publicidade lá deu com fartura, claro, e, caso me tivesse esquecido (se calhar nem reparou, mas crítico Cine Limpo falou sempre na terceira pessoa até aqui, seu monoceronte) desde a última vez, o Festival Super Rock parece querer reunir um dos piores cartazes de sempre com os Depeche Mode, só para ver se dá. Quanto ao filme propriamente dito, é a típica película para, via “número de gargalhadas”, as miúdas fazerem o teste “quão atrasado mental é o meu namorado?”, ainda que, há que dizê-lo, esteja longe de ser dos piores da categoria. Muito longe. Ora, vá lá ver, “A Ressaca” conta a história de quatro indivíduos que vão a Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles; o que está longe de ser inovador – inovador seria, por exemplo, passar uma despedida de solteiro em casa, a ler um livro, mas é capaz de também pode ser mais chato, que ver filmes de pessoas a ler tende para aborrecer. Em suma, há neste filme coisas para as pessoas rirem: rabos de gordos à mostra só porque sim, rabos de velhos à mostra só porque sim, rabos de chineses à mostra só porque sim, uma mama à mostra – com, diga-se de passagem, má equivalência mamilo/resto da mama – só porque um bebé tinha fome, e um Mike Tyson só para mostrar que é péssimo actor, mesmo fazendo dele próprio, mas que ninguém teve coragem de lhe dizer. Privilégios de quem tem uma tatuagem na cara – adereço elucidativo, sem dúvida - e derruba paredes com o punho, suponho. Contudo, e caso restassem dúvidas sobre isso, o facto de, no filme, Tyson ser fã de Phil Collins é algo que só o valoriza, nem é preciso lembrar isso.

 

O melhor de A Ressaca: o bebé, claro, para as pessoas terem pena. Depois, como já se adiantou, até houve um bebé a mamar, para as pessoas terem mais pena ainda, porque o bebé estava com fome, coitadinho. O que deu mais pena foi o bebé a chorar. Porque é que fizeram o bebé chorar?

 

O mais ou menos de A Ressaca: basta vestir um fato e parecer autista para conseguir contar cartas num casino. Descer umas escadas rolantes antes disso também parece ajudar. Deviam fazer um filme sobre isso.

 

O pior de A Ressaca: tem uma referência ao filme Casino, do Scorsese, que só eu é que vi e que agora toda a gente vai dizer que também viu. Assim com’assim, isso é o menos, que o problema é que agora há pessoas que vão ver o Casino e pensar que o Casino é que tem uma referência ao filme “A Ressaca”. Sendo que irão trocar a palavra “referência” pela expressão “eia, isto é copiado daquele filme de rir!”, ao passo que eu trocarei um “vou ignorar estas pessoas, porque é o que elas merecem” por um pontapé na cara com toda a força seguido de fuga porque estou com pressa.

 

Classificação: 6/10, mas só porque o título no Brasil é “Se beber, não case”.

 

Crítico Cine Limpo

T.C.



publicado às 00:00
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Comentários

De lds a 10 de Julho de 2009 às 00:26
"não devem haver"?


De Porco a 25 de Junho de 2009 às 17:40
Eu, de uma forma geral, acho que vocês são parvos. Não sei se é o melhor mas é difícil bater o "daunbailó" de "Down by law" (com Tom waits); ou, quanto a mim o melhor por referir uma saga de filmes com o mesmo protagonista, "o rapaz do futuro" de "Teen wolf".


De franquelim zenaido a 21 de Junho de 2009 às 01:17
é fim de semana, o momento ideal para um vídeo avulso. vejam lá isso rapaziada.

aquele abraço do FZ


De PBala a 20 de Junho de 2009 às 02:44
Em termos de títulos de filmes no Brasil é difícil bater "O Padrinho", ou em brasileiro: O Poderoso Chefão


De costas inácio a 21 de Junho de 2009 às 01:24
O "Triângulo das Mamudas" também era bom.


De Edgar Colaço a 21 de Junho de 2009 às 14:54
Há que não esquecer que o "Exterminador Implacável" tinha como título no Brasil "O Terrível Homem Máquina que Veio do Futuro".


De Senhor Patrao a 19 de Junho de 2009 às 20:39
Se queriam por o Mike a fazer bateria aerea so para dar um sopapo no homem, entao punham no a ouvir Motorhead ou Metallica, e nao Phil Collins.

É que coiso e tal, ele arranca orelhas à dentada e tem uma tatuagem na cara. E depois PUMBA: Phil Collins! E esta?

Meio picolho...


De miguelagoadobidos a 19 de Junho de 2009 às 14:22
he pa eu kero ver e filmes de porrada heheheheh, kurto bues os do bud sepenser e do amigo k kuando mandava murros ia o mau pelox arex. agora axim extex filmex axim ja n axo piada, he + entelektual va la k tem o maike taiser ispero q o gaijo mande umas sardax valentex ós maux. axim ó menox vale o dinheiro dax pipokax LOL. pipol fikem bem. Mikas


De sdgdsahdfsajd a 19 de Junho de 2009 às 14:51
rapaz passa isso para português no tradutor do google... E já agora explicavas ao pessoal quem é o "Maike Taiser"


De Fred a 19 de Junho de 2009 às 15:49
Renato, és tu?


De Anónimo a 19 de Junho de 2009 às 16:14
cheira-me a falcão!


De Edgar Colaço a 19 de Junho de 2009 às 19:18
Peço-lhe, com toda a delicadeza e o respeito quer~o senhor merece, para deixar imediatamente de gostar de filmes do Bud Spencer e do Terence Hill, se faz favor.

Já tenho bastante dificuldade em defender a genialidade dos filmes, e alguém que escreve dessa maneira faz tudo menos ajudar.

Repare que a partir de agora, eu posso defender essas obras de arte com um "Esses filmes eram tão geniais que até os maus eram originais, coisa bastante rara em qualquer filme, como aquele vilão que não conseguia ser mau, portanto, tinha a lenda de filmes de terror, Donald Pleasance, a ensiná-lo a ser cruel, utilizando analogias de pais que devem castigar os filhos porque se portam mal, e que mesmo assim insistem em pedir os doces a que não têm direito" mas vai ser extremamente fácil as pessoas atirarem-me à cara "akel gaxo k exkrve axxim tb goxta mt dexxex filmex", e eu a seguir perco a razão toda.

Obrigado.


De AP a 26 de Junho de 2009 às 16:08
Adorei Edgar!!


De Alexandre Kulcinskaia a 19 de Junho de 2009 às 12:37
O filme não me chama a atenção, mas acho que aqui o crítico do Cine Limpo está armado em snobe.


De Angelodias a 19 de Junho de 2009 às 11:53
Gostei bastante da crónica sim senhor e deverei sacar o filme.
Quanto aos bebés se calhar vou dizer uma novidade mas cá vai: Há bebés FEIOS!!! E quando dizem: ai tão rechonchudinho que ele é, que bochechinhas grandes que ele tem, estão simplesmente a dizer que o gajo quando crescer vai ser um daqueles bajolos que deixam gosma por todo o lado onde passam. Se fôr gaja, irá ter seios grandes, o que não é mal de todo.


De Anónimo a 19 de Junho de 2009 às 11:30
Podiam ter dito que tem o Zach Galifianakis porque ele é engraçado. Não vi o filme por isso nao sei se é engraçado lá mas ele só costuma ser engraçado fora dos filmes. Ele e a maioria dos cómicos.


De A Besta a 19 de Junho de 2009 às 10:41
Não vou muito à baila com bebés, principalmente aqueles com fome. Alguém dê 5 € ao gajo para ir jantar fora e não incomodar.


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