CENA
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Transformers – Retaliação

 

 

Transformers: Revenge of the Fallen

 

A sensação que deve trespassar qualquer pessoa de bem após os cento e 50 minutos deste, enfim, filme (que, tecnicamente, é o que é, dando no cinema, tendo um genérico e isso) é a de que acabou de ver coisas do Species – Espécie Mortal, do Exterminador Implacável, do Gremlins, do Matrix e do Indiana Jones, mas tudo misturado e com transformers à bulha. Até se percebe a ideia do Michael Bay, o homem que ass(ass)ina  - chiça, que trocadilho tão bom, como é que nunca ninguém fez? - esta fita: todos os filmes aonde foi rapinar coisas têm o seu valor, por que porra uma mistura à balda desses mesmos elementos não havia de resultar? Não resulta da mesma forma que misturar pizza, palitos La Reine, iscas, pudim e molho de escabeche* - e pese embora o valor individual, sempre discutível, de todos estes pratos - não resulta, fazendo, inclusive, a pessoa vomitar. Bem, adiante, mas é, que isto custa a todos. Parece que, neste segundo episódio da saga Transformers, o Simon Le Bon, ou lá que porra é, entrou na faculdade e a sua namorada que arranja motas em Los Angeles (bela desculpa para a ter de cu para o ar em calções de ganga) é a Megan Fox. Antes disto, ficamos a saber que há actividade dos transformers maus em Xangai, cidade onde aparentemente é de dia às dez e tal da noite, sendo que basta uma troca de planos para ficar noite escura. Hum, pensam os transformers bons e os tropas humanos com 1/20 do tamanho e 1/100 da capacidade bélica, isto aqui há gato. E há mesmo, ainda que estejamos perante um argumento que parece ter sido escrito à medida que se iam filmando cenas.

 

O que consta, a dada altura, é que os transformers maus querem apanhar o Simon Le Bon porque o cérebro dele sabe umas moradas para fontes de energia. O chefe dos Transformers bons, Optimus Prime, avisa-o que vai haver chatice, mas o garoto está mais interessado em acabar os estudos e não faz caso. Destaque particular aqui para um dos momentos mais conseguidos do filme, mas só porque o Optimus Prime e o Simon Lebouef fizeram lembrar o diálogo entre o Omar Shariff e o Rambo III, se bem que trocando as grutas do Afeganistão por um cemitério em pleno dia. Local bem mais propício para uma conversa entre um garoto e um robot de 25 metros, sem dúvida, mas o que interessa é que o épico “This is not your war”, ou, no caso, uma variante muito próxima, foi proferido. A partir daqui é complicado identificar um fio condutor, sobretudo porque uma pessoa vai ficando cansada e farta-se de tentar tapar todos os buracos de argumento com o seu cimento mental. Vemos um um robot pequenito a montar - sim, no sentido lúdico-reprodutivo do termo - a perna esquerda da Megan Fox; há dois robots que, por alguma razão que ultrapassa tudo e todos, falam e agem como se fossem dreads estereotipados de um qualquer filme de 1997-2003; há piadas com tomates de robots e, calma, que há mais, com gases de robots; há um robot velho, com barbas e tudo, que apesar de se poder transformar em avião e voar, prefere coxear de bengala; e, numa das minhas cenas preferidas, enquanto o Shariff Lebouef está no meio do confronto final entre transfomers bons e maus, aparecem os seus próprios pais, em pleno deserto egípcio, e a admiração dele é quase nula. Sumarizando, de um filme que praticamente começa com piadas de um cão pequenito a canzanar um cão maior e mal-humorado (em sua defesa, há que dizer que é o tipo de piada ideal para determinada época e contexto histórico, e só é pena que na Idade Média não existisse cinema), há apenas que alertar para o facto de quase nem se perceber o que acontece nas lutas entre robots e ser complicado saber quem está a ganhar, para além de, só por si, ser sempre complicado saber quem são os bons e os maus.

 

* Fica o desafio para, a cada filme citado, fazerem corresponder uma destas comidas. Só uma correspondência é a correcta.

 

O melhor de Transformers – Retaliação: Megan Fox e o seu poder de, em 90% do tempo em que está no ecrã, se movimentar em câmara lenta. Nem as Marés Vivas conseguiram alcançar este rácio de “tempo no ecrã/mexer-se em câmara lenta”. E ainda bem que grande parte do filme é no deserto, um sítio quente. Se, por acaso, fosse no Árctico, toda a locomoção em câmara lenta da Megan Fox seria apenas uma maçada, essencialmente porque a rapariga estaria de kispo. Menção honrosa, só porque sim, para o facto de John Turturro ter decidido, por razões desconhecidas, escalar uma pirâmide enquanto um robot aspirador gigante fazia o mesmo.

 

O mais ou menos de Transformers – Retaliação: a meio do confronto final no deserto egípcio, um soldado americano grita “aí vêm os jordanos”, todo contente, o que nos leva a pensar que é desta que os maus levam na focinha de vez. Mas essa ilusão dura apenas 7 segundos, que é o tempo dos dois helicópteros jordanos serem abatidos, um com um míssil, o outro com uma chapada.

 

O pior de Transformers – Retaliação: coisas como “O Paciente Inglês” ficam a pelo menos mais um filme de distância do título de “pior obra da história do cinema”. 

 

Classificação: 2/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.



publicado às 00:00
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Comentários

De anonimo08 a 21 de Julho de 2009 às 12:28
EPÁ... TRANSFORMERS É QUE NÃO...


De Blacksmith a 29 de Junho de 2009 às 19:25
Hoje pode-se fazer uma distinção clara entre obra cinematográfica e peça de entretenimento.
Mas convenhamos, há coisas que são estupidificantes. A saber:

- filmes sobre cachorrinhos lavradores que roem o sofás

- filmes que tentam explicar de uma forma ciêntifica a razão porque um indivíduo tem umas unha retráteis que saem dos nós dos dedos

- Filmes em que o futuro depende daquilo que se fez num futuro alternativo, por se ter viajado ao passado e ter alterado esse mesmo futuro, que por isso é duplamente alternativo...

Vou tomar uma aspirina



De bakorada no facebook a 28 de Junho de 2009 às 22:42

http://facebookoradas.blogspot.com/


De Ricardo a 28 de Junho de 2009 às 04:57
si sinhore.. temos críticos de cinema "à séria".
embora não tenha visto - nem tivesse qualquer intenção de o fazer - concordo plenamente contigo..
caso para dizer.. há filmes que só deviam ter trailer.
vocês podiam era deixar de comentar essas macacadas e usar a vossa inspiração de "crítico de cinema a imitar" para comentar os grandes clássicos que são relembrados durante mais de 3 semanas após o lançamento, mesmo que não rendam 55 milhões de doláres no dia de estreia..
ó butai aí coisas referentes a Scarfaces, Apocalypses Nows, Touros Enraivecidos, Padrinhos, Resevoirs Dogs.. aquele de tirinhos no vietname que agora não me lembra o nome.. há tantos.. escolham praí..
e continuem com o bom trabalho.. e folgo em saber que voltam lá pá radical.. pode ser que agora vos deêm o devido respeito.


De tobias orlando a 27 de Junho de 2009 às 12:31
eu tb vi um filme, chama-se "O Regresso dos Transformistas". gostei. acho que o cinelimpo devia expandir os seus horizontes para outros géneros cinematográficos.


De Anónimo a 27 de Junho de 2009 às 04:44
Esqueceste-te do pormenor de que metade do filme ser uma campanha de recruta para as forças armadas dos US, não tou a falar ideológicamente, é mesmo literalmente, só faltou uma voz equivalente ao tipo que diz "junta-te à força aérea" nos anúncios PT


De Ditinha a 27 de Junho de 2009 às 01:33
Bem, eu gosto muito de ler esta rubrica, porque me faz rir, a rubrica e os comentários... (ainda hei-de perceber porque estão todos tão zangados)... gosto das referências... e eu vi o filme hoje e fiquei com muitas dúvidas aqui citadas... mas se dissecarmos um filme todo e virmos e apontarmos todas as falhas... nenhum filme é bom.
Foi um filme de acção pronto, também digamos que não era esperado que este filme nos fizesse ter uma epifania que nos mostrasse os segredos da vida... para isso há outros... por último... opiniões... cada um tem a sua...

a cena da tanga pah...

não havia necessidade...


De miglopes a 27 de Junho de 2009 às 00:09
o paciente ingles é um bom filme ....
provavelmente ainda melhor que o tubarão!


De Garoto a 26 de Junho de 2009 às 14:30
O Terminator esteve bem pior que transformers, por exemplo e esse sim tinha uma herança pesada, este transformers conseguiu ser em tudo melhor que o primeiro para além da adaptação (pois é, isto é uma adaptação!) estar muito bem conseguida principalmente a parte final entre o JetFire e o Optimus a fazer lembrar series como G1. Mas enfim, se calhar sou eu que sou picuinhas...


De Eddie a 26 de Junho de 2009 às 14:12
Tou a ver se aparecesse la o Wolverine à lambada, também ninguém estranhava.
Mas uma coisa é certa no primeiro filme as lutas entre Transformers e Decepticons são uma grande confusão não se percebe quem é o bom e quem é o mau e de qual das personagens se trata é uma grande mistura de tubos pneumaticos todos pintados do mesmo tom à chapada!!!! E pelos vistos continuam na mesma e com um argumento de encher chouriça!!!


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