CENA

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Desafios do Macaco Inimigo VII

 

À entrada para a sua sétima semana de absoluta invencibilidades, Macaco-Inimigo recebia um dos nomes mais emblemáticos da canção popular lusa: José Crispim, a face masculina do dinâmico duo "Ele e Ela". Macaco-Inimigo, em declarações à imprensa da especialidade, revelou ser deveras importante o alcance da sétima vitória consecutiva, como forma de se afirmar, ainda mais, como a maior potência bélica da CPLP. Macaco-Inimigo fez notar ainda que a internacionalização é o seu objectivo seguinte (após contundente vitória sobre um brasileiro) e, nesse sentido, uma vitória sem espinhas sobre Crispim assumia contornos de quase obrigatoriedade. Crispim, desculpando-se com um afável gesto, não fez qualquer declaração pré-duelo porque estava a resolver um equívoco por telefone.

 

 

 

 

Gelado de que sente mais saudades:

 

JOSÉ CRISPIM: Calippo de Cola

MACACO-INIMIGO: Pé

 

Vantagem: José Crispim



   

Vezes em que foi o primeiro a chegar a uma festa:

 

JOSÉ CRISPIM: sempre

MACACO-INIMIGO: quase sempre

 

Vantagem: José Crispim

 


  

Tropa:

 

JOSÉ CRISPIM: passou à reserva porque já era pai de três garotos

MACACO-INIMIGO: não fez, fingiu que ouvia mal de um ouvido.

 

Vantagem: José Crispim

  


   

Relação com o plástico bolha de ar:

 

JOSÉ CRISPIM: rebenta todas as bolinhas, sempre todo contente

MACACO-INIMIGO: começa entusiasmado, mas farta-se a meio e vai fazer outra coisa

 

Vantagem: José Crispim

  


  

Quando vai buscar alguém a casa:

 

JOSÉ CRISPIM: apita até a pessoa sair

MACACO-INIMIGO: manda toques de telemóvel até a pessoa sair

 

Vantagem: José Crispim

 


  

Quando sai à noite:

 

JOSÉ CRISPIM: leva a esposa e um casal amigo

MACACO-INIMIGO: acaba a noite em casa de alguém e arrepende-se sempre

 

Vantagem: José Crispim

 

   


 

Conclusão: E é a surpresa da década, no que diz respeito a este desporto milenar. Macaco-Inimigo, invicto até à data, levou seis secos de José Crispim, que, diga-se de passagem, nem parecia estar no seu melhor em termos físicos, revelando mesmo alguma fadiga em determinados momentos. Por um lado, ainda bem que assim foi, porque houve espaço e oportunidade para assistirmos a uma majestosa gestão de esforço e controlo da situação por parte de José Crispim. Macaco-Inimigo sai sem honra, tampouco glória, uma vez que o júri lhe deu um grande raspanete por ter mentido na inspecção para a tropa. Macaco-Inimigo ainda tentou fingir que ouvia mesmo mal de um ouvido, mas passado um bocadinho esqueceu-se e olhou quando o chamaram. O júri não tolera mentiras e Macaco-Inimigo terá cometido aqui o maior erro da sua carreira; carreira essa que, relembramos, se encontrava imaculada até à data. Uma nota final para o vencedor, José Crispim, que revelando fair-play de calibre ímpar, emprestou uns cabos para carregar a bateria do carro da Macaco-Inimigo, que não pegava.



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