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CENA

CENA

24
Jul09

Aloé Vera

gana

 

Produtor: Emmi

 

Colecção: Sensitive Yogurt

 

Outras informações: Iogurte meio gordo com 10% de Aloé Vera

 

 

A icónica embalagem deste Aloé

Vera, que quase passava por uma

de margarina, natas ou até de banha de porco, ideal para fazer canja.

Avaliação: não se tenham rodeios! O grande destaque  incide, já se percebeu, no carismático composto de aloé vera, substância em torno da qual se têm erguido, desde há bastas calendas, diversos factos de teor essencialmente dúbio. Não bastando o título, a própria embalagem faz alusão directa aos benefícios do aloé vera, lembrando, por exemplo, a circunstância de Cleópatra recorrer à planta no seu programa diário de beleza e bem-estar. Logo ela, que parece que era toda gostosa. Vale o que vale, sobretudo na medida em que também se diz que um tal de banho diário em sémen seria decisivo na sua estonteante formosura e jovial tez, um rumor que só pode estar pejado de autenticidade. Além disso, e para dar ainda mais força às suas capacidades unas, parece que uma gaja medieval qualquer importante teceu grandes elogios ao aloé vera na sua cartilha de plantas medicinais a ter em conta, recomendando precisamente o género presente neste iogurte. Como na Idade Média nem se tratavam constipações com sanguessugas nem nada, acho que sim, que é de confiar nos palpites desta tipa e encharcarmo-nos todos em Aloé Vera. Erigida a indispensável contextualização histórica do componente primordial deste iogurte, há que dizer que estamos na presença de um produto que faz grande alarde da sua componente mínima de matéria gorda. Pelo que até aqui se assinalou, o leitor já terá percebido que este iogurte levanta, na sua mais basilar essência, um problema de maior: não o vai poder comprar para a sua namorada; a não ser que queira que ela pense que você acha que ela está gorda e/ou feia e vá chorar para o quarto, para depois você perguntar “o que foi” e ela dizer que “não foi nada”, mas é claro que foi, você comprou um iogurte que lhe chama gorda e feia, seu quadrúmano. A compra efectiva terá que partir dela, tenha lá cuidado com isso. Se for você a comprar para ela, mais vale não arriscar e comprar um Choco Gourmet ou assim. De resto, este Aloé Vera: Sensitive Yogurt é cremoso, embora de densidade próxima da do iogurte líquido; quiçá até perigosamente próxima (elemento a rever). Manca-lhe, portanto, alguma estrutura, isso parece-me óbvio. Registo para a agradável surpresa causada pela existência de alguns pedaços, não sei se de aloé vera, embora se pressuponha que marquem presença neste iogurte quanto mais não seja para enganar as pessoas que se questionam “onde é que estão os meus 10% de aloé vera” e que não acreditam na tese do “isso agora vem tudo triturado, Paulo”. Sou da opinião – polémica, pelo que percebi em conversas informais com outros especialistas – de que os registos florais não só não se insinuam, como são praticamente inexistentes, limitando-se a um considerável travo a limão. Ora, esta característica (o saibozinho a limoeiro) poderá levar a pessoa a pensar que o aloé vera sabe a limão e, consequentemente, a perder dinheiro em apostas ou, no mínimo, a fazer figura de urso em festas/convívios. Dispensava-se a confusão, confesso. Como apontamentos finais, aproveito para salientar a embalagem demasiado fina – uma pessoa até tem medo que aquilo se parta tudo na nossa mão, palavra de honra , que aflição -, o que, acabando por ser coerente com a requintada souplesse que vem sempre de braço dado com todo o iogurte, tende para fazer alguma confusão a nível mental. Enfim, de uma leveza que o torna ideal para sobremesa de quem comeu que nem um bovino de cobrição, neste iogurte deve-se destacar ainda a inusitada frescura, mas não sei até que ponto grande parte desse mérito não deverá ser directamente associado ao frigorífico onde esteve.

 

Então e para lá do prazo de validade?

Aguenta-se bastante bem, embora, caso seja daquelas pessoas que abre a embalagem, come um bocadinho e volta a guardar para se lambuzar mais noutro dia, eu tenha que alertar para o facto de o iogurte, numa segunda prova, ter provavelmente aquele característico sabor de frigorífico (uma mescla de verduras datadas, gelo de couvette com água da torneira e enchidos vários, que podem ir desde ao salame à mortadela). 

 

E em termos de nódoas?

Não só não deixa nódoa, como a roupa onde cair vai parecer que foi lavada há segundos atrás. Pelo menos em calças.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Não.

 

Nota final: 13

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

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