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CENA

CENA

31
Jul09

Iogurte da avó (sabor a morango)

gana

 

Produtor: Milbona

 

Colecção: Iogurte da avó

 

Outras informações: preparado lácteo à base de iogurte com 20% de preparado de morango e 3,5 % de matéria gorda no leite

 

A carismática embalagem do Iogurte da Avó, aqui em estrangeiro.

Avaliação: se há coisa pela qual o mercado já há muito gemia, essa coisa seria necessariamente, e sem sombra de dúvida, um produto que rompesse com a associação de algumas iguarias à avó. Pessoalmente - mas também em termos gerais, enquanto representante de grupos sociais diversos -, sempre associei a figura da avó a enchidos, migas e a uns bocados de pão numa malga com café (conjunto alimentar que, ao que parece, não se chama nada sopas de cavalo cansado, pese embora eu, até circa 2003, ter achado que sim), de maneira que é com agrado que constato que uma simpática marca estrangeira resolveu criar o espectacular conceito que é este Iogurte da Avó. Este inovador produto coalhado destaca-se logo abundantemente a nível de embalagem: tem uma tampa a imitar aqueles frascos de vidro com doce caseiro – um bocado de pano, sempre com padrão quadriculado, e um cordel à volta a agarrar, ou lá o que é! Trata-se quase de um objecto decorativo, que nada fica a dever, em termos estéticos e de estilo “mania”, a coisas muito na moda, como sejam as lava lamps ou um puff. Para além disso, a tampa é muito fácil de lamber e tem uma textura muito agradável à língua, ainda que tenha que alertar para o facto de se revelar bem menos capacitada na funcionalidade "servir de colher ", o que, em caso de aflição ou de vontade nula para lavar uma colher, é uma chatice – e relembro os mais esquecidos da extraordinária capacidade que algumas tampas têm para serem facilmente moldadas em colheres de emergência. Uma pena, porque, em tudo o mais, é das melhores tampas que já tive o prazer de lamber. Ainda em termos de cobertura, nota para a discutível opção de ilustrar a mesma com uma avó da Neoblanc segurando uma colher de pau, e isto é discutível no sentido de se tratar de um utensílio de cozinha que cerca de 100% das crianças associam a porrada e não a saborosos iogurtes. Um pequeno faux pas, que até pode nem afastar assim tantos clientes garotos, mas, ainda assim, um faux pas. A embalagem, estilo copo alto e estreito, vem quase cheia, e aproveito para confessar que algum receio se apodera sempre de mim quando publicito um produto com uma muito valorosa relação qualidade/quantidade/preço (que, ao fim e ao cabo, é o que nos interessa a todos e permite que se diga que frango de churrasco é melhor que leitão). De facto, se as marcas percebem que estão a dar mais do que podiam dar, lá teremos nós mais uma vez o fenómeno Fruit & Yogurt *. É preciso cuidado com isso. Quanto ao iogurte propriamente dito, trata-se de mais um clássico “deux camadas” (no caso, de morango e de parte branca) , numa também clássica proporção de 1 para 5. As camadas são das mais fáceis de comer isoladamente, resultando igualmente bem quando mescladas – esta bivalência é mais rara do que se possa imaginar. Neste quadrante, deixo ainda uma preciosa dica: coma toda a parte de natas com preciosismo digno de um autista, e depois use o doce de morango que fica no fundo para fazer um belo pão com doce de morango. É um lanche completo, raios! Um pão com doce de morango e um iogurte, e pelo preço de apenas um iogurte e um pão! Notável. Como pontos menos positivos – que os há, que os há -, tenho que avançar com o facto de ficar demasiado doce, se o consumidor optar por meter açúcar neste Iogurte da Avó. Recordo que a colocação de açúcar extra acontece mais por uma questão cultural (desculpa para usar perante figura feminina com poder para nos sentir culpados) que por lambarice pura (realidade masculina para, na verdade, se colocar mais açúcar), logo, haverá sempre quem o faça. Fica o alerta, mas um que não belisca por aí além esta categoria de iogurte. Aproveite para ligar à sua avó, agradecendo, ou então ralhando, por nunca ter feito um iogurte destes.

 

 

Então e para lá do prazo de validade?

Mantém grande parte das suas qualidades, se optar por comer à volta do bolor que se criará após uns dois, três meses pós-prazo de validade. Se não optar por comer apenas à volta do bolor, ainda degusta algo qualitativamente acima de mais de 30% dos iogurtes no mercado. Pode compensar.

 

E em termos de nódoas?

Péssimo, que sujei-me todo e esfregar só espalhou ainda mais. Tive que vestir uma camisola por cima da t-shirt cheia de nódoas e fiquei cheio de calor, sujeito a desmaiar. Em relação a nódoas nas calças, não sei, que comi em pé e, após sujar a t-shirt, todo inclinado para a frente.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Sim. Colher de sobremesa Tramontina.

 

Nota final: 17

 

*O “Fenómeno Fruit & Yogurt” diz respeito a toda e qualquer mudança brusca em termos de quantidade, sempre num sentido negativo, de determinado produto. Basicamente, ocorre quando, por exemplo, um gelado ou chocolate começa a trazer menos ou a ser mais pequeno. Este fenómeno foi baptizado de “Fruit & Yogurt” quando, há uns anos, esta famosa sobremesa da Macdonald’s deixou de ser bem aviada, servida num copo de imperial (daqueles de plástico, à festival de Verão) para passar à actual versão, que traz manifestamente menos e dá vontade de, enfim.

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

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