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CENA

CENA

02
Out09

"A Marcha dos Golpes", d'Os Golpes

gana

 

É o sexto e último candidato a clipe de índole musical da década. A escolha é de Pedro Santo, e, se não sabe o que se passa aqui, vá ver ao arquivo, sozinho, que a minha vida não é fazer hiperligações para o menino.

 

 

 

Pedro Santo

(aqui, e porque tentava ainda estar inserido em sociedade, sem a barba de três quinze dias que costuma ter, feito um animal)

Um dos três membros fundadores, Santo é o que tem mais força, contribuindo decisivamente para isso o facto de Moreira e Pombeiro terem compleições tísicas. É a pessoa com mais confiança, quer com Pombeiro, quer com Moreira, aproveitando esse facto para os colocar frequentemente um contra o outro. Em breve, as produções GANA terminarão devido aos diversos vícios de Santo (jogo e Amphaplex, à cabeça), que, todavia, com a sua argumentação singular, convencerá todos, inclusive o próprio, que a culpa é de Pombeiro.


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Informações gerais

Realizado por Tiago Cravidão, “A Marcha dos Golpes” apresenta uma estética profundamente “Alentejo sem Lei”, com os quatro elementos da banda a andar a cavalo e a tocar a cantiga. A título de mera curiosidade, pode-se adiantar que Os Golpes dantes tinham outro nome, Os Quatrocentos Golpes, mas entretanto deixaram cair parte do título da obra de Truffaut, um homem francês que entrou num filme do Spielberg. Parece que Quatrocentos Golpes é a expressão francesa equivalente aos nossos “pintar o sete”, “trinta por uma linha” ou “o diabo a quatro”. Vá ao Nimas (cinema Lisbonense) quando houver reposições de Truffaut e tente conquistar mulheres usando esse conhecimento de forma avulsa. Se não resultar com uma que seja, mate-se, que este mundo está perdido.

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Pontos a favor

 

1. Ter um conjunto musical costuma significar comportamentos de risco, mas em lado nenhum está escrito que não se deve ter cuidados com o sol. Colocar creme Nivea pode soar pouco a rock, mas ter um escaldão mesmo no meio da cara ainda soará menos. Lembro-me que na minha escola havia sempre garotos que tinham ido à praia no Domingo e, com um escaldão nas costas, eram metralhados com chapadas, precisamente dorso abaixo. Os Golpes até podem ter sido desses garotos, mas aprenderam uma lição para a vida, e agora, homens feitos, não dispensam o creme Nivea quando sabem que vão andar à chapa do sol. 

 

Dois elementos d'Os Golpes, acautelando-se perante o sol,

que já ia bem alto.

 

2. Não há grande profundidade a nível de dados oficiais, mas arrisco-me a dizer que Os Golpes são a única banda a nível mundial em que todos os seus elementos sabem andar a cavalo. E exemplos de bandas em que nem um elemento sabe andar a cavalo são mais que muitos, como é sabido (Dire Straits, Skunk Anansie, Connells, Current 93, entre outros)! Não esquecer que andar a cavalo é complicado, não é pêra doce. Não é alugar quatro cavalos e subir para lá para cima! Não é como alugar uma gaivota para pedalar em alto-mar e depois não conseguir voltar e ter que chamar a Guarda Costeira, lavado em lágrimas, cheio de fome e sede, e ser levado para a praia, de rabinho entre as pernas, que vergonha. Bem, é de facto transcendente que todos Os Golpes saibam cavalgar. A não ser que se tenham conhecido no Hipismo e decidido formar uma banda anos depois. Se for o caso, perde alguma singularidade cósmica.


"Mau, então mas não eram os quatro elementos d'Os Golpes a

andar a cavalo? Só vejo dois!", dirão os leitores.

 

Calma, cá estão os quatro, dois estavam escondidos numa

ilusão de óptica. Sucede o seguinte: Os Golpes estavam a usar

uma das suas várias técnicas furtivas de combate, dando a

entender a exércitos inimigos que eram apenas dois, para,

num ápice, duplicarem o poderio da sua infantaria. Mais

técnicas de combate furtivo/fuga dissimulada d' Os Golpes

adiante.

 

3. Não podia passar sem referir os momentos de maior acção, destacando-se um dos demais: o movimento presente na imagem abaixo equivale a derrapagens de cavalo. Embora, aparentemente, apenas dois d’Os Golpes (50 por cento) consigam fazer, continua a ser proeza digna de elevado referencial. Sobretudo sabendo nós que existem bandas onde nem uma das pessoas consegue fazer estas derrapagens de lado num cavalo (Dire Straits, Skunk Anansie, Connells, Current 93, entre outros).

 


As derrapagens. Isto em imagem parada pode parecer fácil,

podendo inclusive levar alguns a clamar "pfff, grande coisa,

isso também eu faço", mas não é bem assim, comuns mortais.

É ver o vídeo e, ali por volta dos 2:55, perceber que fazer

derrapagens de lado com um cavalo é deveras lixado.

 

4. São aqui expostas duas boas técnicas de fuga dissimulada de qualquer sarilho ou, mais especificamente, de um bando de indivíduos de aldeia vizinha armados de paus e forquilhas para ajustar contas relativas a rivalidades obscuras. Técnica 1: vestir todos de igual ou muito parecido, para o bando de indivíduos não ter bem a certeza de quem procura. É especialmente bom porque, depois d’Os Golpes se separarem estrategicamente, o bando pode andar horas a perseguir um indivíduo e não ser esse que queria surrar. Quando derem por ela, já o alvo do bando rival estará longe, rindo muito alto. Técnica 2: bater os pés para levantar uma poeira desgraçada e aproveitar que ninguém vê nada para se meter na alheta. Convém conhecer o local, senão, e porque você também não vê nada por causa do pó, ainda bate com a cara numa parede, ficando desmaiado e à mercê do bando de indivíduos de aldeia vizinha armados de paus e forquilhas para ajustar contas.

 


Os pés a fazer pó, a técnica nº 2 citada neste ponto 4. Se

tiver sinusite, é recomendável que opte por outra técnica de

fuga com distracção. Nenhum d'0s Golpes tem sinusite, logo,

se vir um nuvem de pó é provável que eles já se tenham

escapulido. 

 

5. Santo acabou de me enviar uma mensagem do seu celular dizendo para não esquecer os fios bem visíveis, demonstrando que não é playback, e dos vários planos dignos de Terence Mallick. Como não tinha a certeza do que é isso de planos dignos de Terence Mallick, mandei mensagem perguntando, ao que Santo respondeu com “se não sabes, mete o último, seu monte de sebo. E vai ao teu correio electrónico, mandei para lá uma coisa em anexo para usares na análise. Nunca mais me mandes mensagens”. Em baixo, fica então um plano digno de Mallick, sendo que, para convencer os visitantes do CENA, Santo fez ainda um desenho de um d'Os Golpes.

 

 

Um plano digno de Mallick, um realizador. Não sei se será

bem este, mas fez-se noite num instante, essa é que é essa.

 

Santo fez um desenho dum elemento

d'Os Golpes e acha que esse facto o

ajudará na vitória final. Decida você.

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Apreciação muito geral: Muito boa escolha, esta. Icónico, pejado de mensagens subliminares que o vão tornar uma pessoa melhor, este “A Marcha dos Golpes” é, a meu ver, um dos dois mais fortes contendentes à vitória final. Não vou dizer qual é o outro grande favorito, mas posso adiantar que o pior é o de Pombeiro. De resto, Santo avisou-me logo - em tom de ameaça, mas não é por mal, é assim que ele fala – que este teledisco d’Os Golpes não tinha nada que ter aquilo dos pontos negativos, visto que não existem. Após visualizações do teledisco, vi-me obrigado a aceitar a simpática sugestão e a, como se pôde constatar, referir antes cinco pontos positivos.

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Questão final: "Pedro Santo, por que razão escolheu este teledisco?"

 

 

Pedro Santo

(clique na sua cara para uma surpresa - pode não ser um vídeo, atenção!)

“Era o que cumpria de forma mais eficaz o essencial binómio preferência/probabilidade de vencer, apenas isso. Fiz questão de ver o meu teledisco ser apresentado em último porque é minha crença que uma larga maioria da população tem o intervalo de atenção de um eucalipto e vai votar no último que viu. Espero vencer isto - através da minha selecção, bem entendido -, só para poder esfregar na cara dos outros. Votem nisto e nunca mais apanharão fila onde quer que seja, garanto-vos.”

 

 

Analista Clipe Limpo

Mauro

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