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CENA

CENA

03
Jul09

Recomendações de Verão/Férias

gana

 

Antes de ir de férias, e perante a absoluta míngua de estreias que o meu juízo aleatório tivesse considerado dignas, vejo-me obrigado a deixar uma lista de recomendações para alugar no videoclube, de maneira a que esta sua época estival continue a ser polvilhada de bom cinema. Por ser uma pessoa marcadamente eclética, deixo-vos vários títulos, uns para ver cansado, todo moído da praia, outros para fingir que é mais esperto do que aquilo que realmente é. Não seja sovina e alugue todos quantos encontrar, que bem sabemos que há subsídio de férias. Quem estiver a recibos pode alugar apenas dois, desde que escolha sensatamente.

 

 

Comédia

 

Ora, sendo época de coisas leves, nada melhor que uma boa comédia para ver em casa ou numa garagem com amigos, se tiver um projector. Neste particular, o primeiro título que recomendo dá pelo nome de Fim-de-semana com o Morto 2, um filme que, ao contrário da larga maioria das sequelas, não merece os epítetos de índole escatológica que muitos críticos, espectadores, produtores, actores, enfim, pessoas na sua generalidade, lhe associaram. Uma das principais críticas em relação a este Fim-de-semana com o Morto 2, para além das questões de más piadas, má realização, más interpretações, má cinematografia, mau guarda-roupa e mau etc., prende-se com o facto de terem passado quatro anos após a morte de Bernie e, nesse sentido, “eia, como é que é possível ele ainda não estar esqueleto?”. Fique-se desde já sabendo que eles usaram um qualquer ritual vudu para ressuscitar o morto e tentar ter acesso a um tesouro, portanto lá se vão as teorias de quem só quer é embirrar com as coisas. É calar a boca e deixar ver o filme.

 

O morto, a fazer um telefonema

 

Guerra

 

Vou recomendar dois filmes de guerra, não porque ache que merecem os dois ser mencionados, mas porque não os distingo e, não sabendo bem qual é qual, vão os dois: um é o Platoon – os Bravos do Pelotão, outro é o Corações de Aço. Fazendo uma pequena síntese deste filme, tenho a adiantar que, realizado por Oliver Stone ou Brian de Palma, Platoon – os Bravos do Pelotão ou Corações de Aço é uma poderosa obra que retrata as vivências de um jovem, Michael J. Fox ou Charlie Sheen, no Vietname. Na guerra, não de férias. O mau deste Platoon – os Bravos do Pelotão ou Corações de Aço é o Sean Penn ou o Tom Berenger, o que é sempre de salientar. Enfim, uma obra que marcou toda uma geração e que tem aquele gajo a morrer de braços abertos porque o mau, Tom Berenger ou Sean Penn, não quis que o helicóptero esperasse. Além destes maus, há os maus piores, que são os chineses.

 

Da esquerda para a direita: Sean Penn, o mau de Platoon – os Bravos do Pelotão ou Corações de Aço com uma metralhadora e Tom Berenger, o mau de Platoon – os Bravos do Pelotão ou Corações de Aço com uma metralhadora.

 

Drama

 

Com um título em inglês que, musicalmente, dá uma abada tão grande ao português que até dá pena, de Dias de Paraíso deve-se apenas dizer que é um filme bom ao ponto de meter nojo. Tratando-se de um drama com o Richard Gere, é perfeito para enganar as vossas mulheres, ou equivalentes funcionais, que vão querer ser compensadas por terem alugado o Platoon - os Bravos do Pelotão ou Corações de Aço. Se sua mulher não gostar deste filme, termine a relação, mesmo que estejam no primeiro dia num aparthotel e lhe estrague os restantes dias de férias. Essa mulher não merece ninguém.

 

Uma das fotos que aparece quando se escreve Days of Heaven em motores de busca da Internet.

 

Predador

 

Neste género de filmes, a única recomendação possível e imaginária é, como não poderia deixar de ser, a sublime película de McTiernan: Predador. É uma produção perfeita, inatacável sob qualquer prisma analítico ou credo cego, vencedora do galardão Melhor Filme da História do Cinema em mais de 23 categorias distintas. A saber: Melhor filme num pinhal; Melhor filme com o/a [nome de qualquer um dos actores que entra no Predador] (só aqui são 14 prémios); Melhor filme que é para aí 90% de dia e mete medo; Melhor filme que mete medo exclusivamente a homens, uma vez que as mulheres apenas se interrogam “que bicho estúpido é este?” e vão-se deitar porque lhes dói a cabeça; Melhor filme com aquela metralhadora grandona que o gajo do chapéu de cowboy usa; Melhor filme em que morrem todos menos dois; Melhor filme em que só aparece uma gaja; Melhor filme com uma hora e 47 minutos; Melhor filme com banda sonora de Alan Silvestri; Melhor filme em que se masca tabaco e Melhor filme em que o gajo dos óculos é logo o primeiro a morrer. Indispensável.

 

O predador, a festejar alguma coisa. Pode parecer mais que é a levar com uma flecha nas costas, mas isso não acontece no filme, por isso é o predador a festejar.

 

Europeu

 

Neste particular, recomendo O Gabinete do Dr. Caligari. Não sendo nenhum Predador, lá mete o seu medo, ainda que se destaque essencialmente por ser alemão, dos anos 20 e ideal para ver com um delírio clínico de febre. Alugue este se for para ver com uma gaja gótica/que tem a mania que é esperta e que você ainda não comeu. Expressões/palavras que deve usar no debate posterior entre copos de vinho caro vão desde “expressionismo” a “solilóquios”, passando por outras ilustres como “film noir”, “alegoria”, “estética de vanguarda”, “claramente premonitório/profético”, “na verdade, a psicanálise…” ou “triunfo da beleza”. Use e abuse do advérbio “psiquicamente” e, se tiver vagar ou pachorra, decore umas quantas tiradas e cite Adorno, à balda.

 


Uma t-shirt do Dr. Caligari, ideal para parecer inteligente no Bairro Alto.

 

Porrada e Filmes para ver com os garotos

 

Deixo ainda, na despedida, mais dois títulos, e logo para categorias tão nobres. Em relação à primeira, avanço com Fighting Mad, algo que nunca visionei, mas cuja sinopse - A vietnam veteran left for dead returns home and uses his samurai sword to get his wife back from another man.- fala por si; e, para a segunda, o eleito é Já tocou: Casamento em Las Vegas, versão cinematográfica da famosa série que será sempre garante de valoroso pedigree para todos os seus derivados; retratando-se, no caso, o casamento de Kelly e Zack. Se não chegou para vos convencer, fiquem então sabendo que tem o Slater.

 

Slater, todo contente.

 

Boas Férias.

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

 

Nota da Edição: esta deverá ter sido a última participação de T.C., o crítico Cine Limpo, no CENA – Canal de Entretenimento Não-Alinhado, uma vez que, numa festa de aniversário recente, parece que se encharcou em brandy e ter-se-á metido com a mulher de um dos GANA – Guionistas e Argumentistas Não-Alinhados.

26
Jun09

Transformers – Retaliação

gana

 

 

Transformers: Revenge of the Fallen

 

A sensação que deve trespassar qualquer pessoa de bem após os cento e 50 minutos deste, enfim, filme (que, tecnicamente, é o que é, dando no cinema, tendo um genérico e isso) é a de que acabou de ver coisas do Species – Espécie Mortal, do Exterminador Implacável, do Gremlins, do Matrix e do Indiana Jones, mas tudo misturado e com transformers à bulha. Até se percebe a ideia do Michael Bay, o homem que ass(ass)ina  - chiça, que trocadilho tão bom, como é que nunca ninguém fez? - esta fita: todos os filmes aonde foi rapinar coisas têm o seu valor, por que porra uma mistura à balda desses mesmos elementos não havia de resultar? Não resulta da mesma forma que misturar pizza, palitos La Reine, iscas, pudim e molho de escabeche* - e pese embora o valor individual, sempre discutível, de todos estes pratos - não resulta, fazendo, inclusive, a pessoa vomitar. Bem, adiante, mas é, que isto custa a todos. Parece que, neste segundo episódio da saga Transformers, o Simon Le Bon, ou lá que porra é, entrou na faculdade e a sua namorada que arranja motas em Los Angeles (bela desculpa para a ter de cu para o ar em calções de ganga) é a Megan Fox. Antes disto, ficamos a saber que há actividade dos transformers maus em Xangai, cidade onde aparentemente é de dia às dez e tal da noite, sendo que basta uma troca de planos para ficar noite escura. Hum, pensam os transformers bons e os tropas humanos com 1/20 do tamanho e 1/100 da capacidade bélica, isto aqui há gato. E há mesmo, ainda que estejamos perante um argumento que parece ter sido escrito à medida que se iam filmando cenas.

 

O que consta, a dada altura, é que os transformers maus querem apanhar o Simon Le Bon porque o cérebro dele sabe umas moradas para fontes de energia. O chefe dos Transformers bons, Optimus Prime, avisa-o que vai haver chatice, mas o garoto está mais interessado em acabar os estudos e não faz caso. Destaque particular aqui para um dos momentos mais conseguidos do filme, mas só porque o Optimus Prime e o Simon Lebouef fizeram lembrar o diálogo entre o Omar Shariff e o Rambo III, se bem que trocando as grutas do Afeganistão por um cemitério em pleno dia. Local bem mais propício para uma conversa entre um garoto e um robot de 25 metros, sem dúvida, mas o que interessa é que o épico “This is not your war”, ou, no caso, uma variante muito próxima, foi proferido. A partir daqui é complicado identificar um fio condutor, sobretudo porque uma pessoa vai ficando cansada e farta-se de tentar tapar todos os buracos de argumento com o seu cimento mental. Vemos um um robot pequenito a montar - sim, no sentido lúdico-reprodutivo do termo - a perna esquerda da Megan Fox; há dois robots que, por alguma razão que ultrapassa tudo e todos, falam e agem como se fossem dreads estereotipados de um qualquer filme de 1997-2003; há piadas com tomates de robots e, calma, que há mais, com gases de robots; há um robot velho, com barbas e tudo, que apesar de se poder transformar em avião e voar, prefere coxear de bengala; e, numa das minhas cenas preferidas, enquanto o Shariff Lebouef está no meio do confronto final entre transfomers bons e maus, aparecem os seus próprios pais, em pleno deserto egípcio, e a admiração dele é quase nula. Sumarizando, de um filme que praticamente começa com piadas de um cão pequenito a canzanar um cão maior e mal-humorado (em sua defesa, há que dizer que é o tipo de piada ideal para determinada época e contexto histórico, e só é pena que na Idade Média não existisse cinema), há apenas que alertar para o facto de quase nem se perceber o que acontece nas lutas entre robots e ser complicado saber quem está a ganhar, para além de, só por si, ser sempre complicado saber quem são os bons e os maus.

 

* Fica o desafio para, a cada filme citado, fazerem corresponder uma destas comidas. Só uma correspondência é a correcta.

 

O melhor de Transformers – Retaliação: Megan Fox e o seu poder de, em 90% do tempo em que está no ecrã, se movimentar em câmara lenta. Nem as Marés Vivas conseguiram alcançar este rácio de “tempo no ecrã/mexer-se em câmara lenta”. E ainda bem que grande parte do filme é no deserto, um sítio quente. Se, por acaso, fosse no Árctico, toda a locomoção em câmara lenta da Megan Fox seria apenas uma maçada, essencialmente porque a rapariga estaria de kispo. Menção honrosa, só porque sim, para o facto de John Turturro ter decidido, por razões desconhecidas, escalar uma pirâmide enquanto um robot aspirador gigante fazia o mesmo.

 

O mais ou menos de Transformers – Retaliação: a meio do confronto final no deserto egípcio, um soldado americano grita “aí vêm os jordanos”, todo contente, o que nos leva a pensar que é desta que os maus levam na focinha de vez. Mas essa ilusão dura apenas 7 segundos, que é o tempo dos dois helicópteros jordanos serem abatidos, um com um míssil, o outro com uma chapada.

 

O pior de Transformers – Retaliação: coisas como “O Paciente Inglês” ficam a pelo menos mais um filme de distância do título de “pior obra da história do cinema”. 

 

Classificação: 2/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

19
Jun09

A Ressaca

gana

 

 

The Hangover

 

Pela primeira vez na história do Cine Limpo, o crítico Cine Limpo teve um convite - e duplo, para poder ficar mais à vontade, à larga e sem necessidade social de alternar o usufruto do apoio braçal - para a antestreia dum filme. Convites costumam ser coisas boas e, sobretudo isso, “de graça” costuma ser característica para botar um sorriso nos lábios seja de quem for. Excepção: ser em Oeiras. Uma coisa de graça, sendo em Oeiras, perde qualquer tipo de mais-valia e, assim sendo, o crítico Cine Limpo não pôde ir por razões de força maior. Não é nada contra Oeiras especificamente, que, por exemplo, Carnaxide seria igual. Aliás, bastaria ser em qualquer lugarejo onde não chegue Metro (ou chegue e não fosse suposto, como Amadora e afins) para o crítico Cine Limpo torcer o nariz. Linha vermelha também já implicaria bufares constantes durante todo o caminho, mas, enfim, seria suportável. Portanto, o crítico Cine Limpo acabou por ver o filme como qualquer civil, ontem. Para começar, não deram trailers, logo, não devem haver estreias para a semana ou nos próximos tempos. De outra forma, não faria sentido o cinema não promover os seus próprios produtos e preferir deixar as pessoas dez minutos a olharem para o boneco. Publicidade lá deu com fartura, claro, e, caso me tivesse esquecido (se calhar nem reparou, mas crítico Cine Limpo falou sempre na terceira pessoa até aqui, seu monoceronte) desde a última vez, o Festival Super Rock parece querer reunir um dos piores cartazes de sempre com os Depeche Mode, só para ver se dá. Quanto ao filme propriamente dito, é a típica película para, via “número de gargalhadas”, as miúdas fazerem o teste “quão atrasado mental é o meu namorado?”, ainda que, há que dizê-lo, esteja longe de ser dos piores da categoria. Muito longe. Ora, vá lá ver, “A Ressaca” conta a história de quatro indivíduos que vão a Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles; o que está longe de ser inovador – inovador seria, por exemplo, passar uma despedida de solteiro em casa, a ler um livro, mas é capaz de também pode ser mais chato, que ver filmes de pessoas a ler tende para aborrecer. Em suma, há neste filme coisas para as pessoas rirem: rabos de gordos à mostra só porque sim, rabos de velhos à mostra só porque sim, rabos de chineses à mostra só porque sim, uma mama à mostra – com, diga-se de passagem, má equivalência mamilo/resto da mama – só porque um bebé tinha fome, e um Mike Tyson só para mostrar que é péssimo actor, mesmo fazendo dele próprio, mas que ninguém teve coragem de lhe dizer. Privilégios de quem tem uma tatuagem na cara – adereço elucidativo, sem dúvida - e derruba paredes com o punho, suponho. Contudo, e caso restassem dúvidas sobre isso, o facto de, no filme, Tyson ser fã de Phil Collins é algo que só o valoriza, nem é preciso lembrar isso.

 

O melhor de A Ressaca: o bebé, claro, para as pessoas terem pena. Depois, como já se adiantou, até houve um bebé a mamar, para as pessoas terem mais pena ainda, porque o bebé estava com fome, coitadinho. O que deu mais pena foi o bebé a chorar. Porque é que fizeram o bebé chorar?

 

O mais ou menos de A Ressaca: basta vestir um fato e parecer autista para conseguir contar cartas num casino. Descer umas escadas rolantes antes disso também parece ajudar. Deviam fazer um filme sobre isso.

 

O pior de A Ressaca: tem uma referência ao filme Casino, do Scorsese, que só eu é que vi e que agora toda a gente vai dizer que também viu. Assim com’assim, isso é o menos, que o problema é que agora há pessoas que vão ver o Casino e pensar que o Casino é que tem uma referência ao filme “A Ressaca”. Sendo que irão trocar a palavra “referência” pela expressão “eia, isto é copiado daquele filme de rir!”, ao passo que eu trocarei um “vou ignorar estas pessoas, porque é o que elas merecem” por um pontapé na cara com toda a força seguido de fuga porque estou com pressa.

 

Classificação: 6/10, mas só porque o título no Brasil é “Se beber, não case”.

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

12
Jun09

Quiz Cine Limpo

gana

 

Nesta semana de feriados, há que avisar que a) não houve uma estreia digna de análise por parte do nosso crítico, b) o nosso crítico agora cobra IVA e isto está "vai, não vai" para acabar tudo ou c) o nosso crítico agora namora e ontem a gaja obrigou-o a ir ver o "No Limite do Amor", que já está em cartaz há para aí um mês e, como devem calcular, não se ia escrever sobre essa obra, uma vez que perdeu a ínfima pertinência analítica que, com muito boa vontade, se lhe poderia ter associado em tempos.

 

E, portanto, mancando crítica a uma película, compensa-se com um pequeno, ainda que apuradíssimo, quiz que aferirá o conhecimento cinematográfico dos leitores de Cine Limpo.

 

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  1. 1. Que actor confundo eu com o Kurt Russell, às vezes?

  2. Jeff Bridges
    John Travolta
    todos os anteriores
    Patrick Swayze

     

     

  3. 2. Qual o melhor filme com Patrick Swayze?

  4. Profissão:Duro
    Tango & Cash
    Ruptura Explosiva
    As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim

     

     

  5. 3. Qual o melhor filme da história do cinema com um & no título original?

  6. Secrets & Lies
    Pride & Prejudice
    Tango & Cash
    Batman & Robin

     

     

  7. 4. Qual dos seguintes meios de transporte não é temática central de um único de filme de jeito?

  8. helicóptero
    cavalo
    nave
    motorizada

     

     

  9. 5. Em que filme a personagem de Schwarzenegger tem um nome mais fixe?

  10. Inferno Vermelho
    Conan, o Bárbaro
    Gémeos
    Comando

     

     

  11. 6. Em que filme a personagem de Schwarzenegger dá uma cabeçada num cavalo?

  12. Conan, o Bárbaro
    Inferno Vermelho
    Comando
    Gémeos

     

     

  13. 7. Qual das seguintes cenas ocorre de facto no filme “Fuga para a Vitória”?

  14. Stallone defende um penalty e pensa que o jogo acaba quando isso acontece
    Pelé não gosta do Michael Caine e fingiu sempre que não o via desmarcado
    Michael Caine manda um canto directo à barra e finge que não foi ao calha
    Max von Sydow faz uma cueca ao Pelé

     

     

  15. 8. Que personagem do cinema foi representada por mais actores?

  16. James Bond
    Jesus
    Drácula
    Ghandi e Tarzan, ex aequo

     

     

  17. 9. Qual o tipo de twist cinematográfico para o qual já não há pachorra?

  18. "ah, afinal ele estava morto durante todo o filme"
    "ah, afinal foi tudo um sonho"
    "ah, afinal são a mesma pessoa"
    "ah, afinal é ele o culpado na mesma, só que tem dupla personalidade"

     

     

  19. 10. Qual o filme mais chato de sempre com o Sayid do Lost?

  20. O Paciente Inglês
    Rollerball
    O Grande Joe Young
    A Lenda de Zorro

 



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Leitura dos resultados:

 

100 - "Parabéns." (seco, amargo e baixinho, sem ponto de exclamação)

 

Menos de 100 - "Que cepo, você!"

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

05
Jun09

Exterminador Implacável: A Salvação

gana

 


Terminator Salvation

Qualquer pessoa de bem ficaria logo horrorizada se, em vez de trailers, tivesse passado uma versão, pelos vistos integral, dum anúncio abjecto a uma cerveja que, valha-lhe a coerência, se lhe equivale no nível de abjectice, e que segue a emética narrativa do “eh pá, é fim-de-semana e reparem como nós somos todos tão estilosos e nos divertimos tanto à noite, isto apesar de, calma, também sermos sensíveis, não somos nenhuns jagunços bêbados, e até tiramos fotografias a preto e branco quando está a chover, tudo isto ilustrado com uma cantiga de rock chorão, que, futuramente, pessoas atrasadas mentais dedicarão a outras pessoas atrasadas mentais nas redes sociais da Internet”. Portanto, vamos fingir que isto não aconteceu e tentar analisar o filme, que não tem culpa nenhuma, mantendo a cabeça fria. Ora, realizado por um tipo com nome de canal de música – o que é, convenhamos, um belo princípio -, este filme desenrola-se em 2018, ano em que John Connor, emblemático líder da resistência humana contra as máquinas más, tem a cabeça a prémio, sendo que a cabeça, desta feita, é a do actor Christian Bale. Essencialmente, é pena que os terminators façam cada vez menos jus ao nome e mais pareçam bullies de liceu, uma vez que passam 90% do seu tempo a atirar as pessoas contra cacifos, ainda que aparentemente feitos de folha de alumínio. Há explosões grandonas – de resto, meter tudo a explodir parece ser a segunda opção para o que quer que seja, logo a seguir a “oh, manda-lhe uns tiros a ver o que acontece” -, há um terminator grandão (que sim, é tão absurdo quanto soa, quiçá mais, sobretudo em voz alta, aos berros), para aí do tamanho dum prédio, daqueles só com dois andares, mais caseirinhos, e, na verdade, ficamos com a sensação que, tivesse o Wolverine aparecido a qualquer momento, até faria sentido. Não sei explicar, mas se ele tivesse aparecido do nada, a arranhar terminators, o meu grau de admiração seria 6/20, o que é manifestamente pouco. Mas nem tudo são más novidades, e há que louvar de forma entusiástica o facto de, finalmente, se poder ter tido acesso directo ao estímulo visual único que constitui o meter os olhos num terminator que usa uma fita na cabeça. E nem sequer é um boss final ou assim, é apenas um terminator genérico que usa uma fita na cabeça. O que se retira daqui é que nem as máquinas mais avançadas estão livres do mau gosto. Podem-nos matar, robots, mas as nossas modas labregas viverão para sempre! Chupem, máquinas!

 

O melhor de Exterminador Implacável: A Salvação: além do terminator com uma fita na cabeça – que é, não só a melhor cena deste filme, mas a melhor de toda a história do cinema pós-1982 e pré-1965 -, há a destacar o facto de, através da acção de Jonh Connor, termos ficado a saber que, no futuro, quaisquer dois cabos eléctricos numa fábrica permitirem levar a cabo uma reanimação cardiopulmonar de emergência, o que permitirá poupar bastante dinheiro em desfibriladores. É que aquilo ainda é caro.

 

O mais ou menos de Exterminador Implacável: A Salvação: em 2018 só há cantigas dos anos 90, e o plural aplica-se porque, com efeito, serão apenas duas. Um revivalismo 90’s é sempre uma boa notícia, mas não tão boa ao ponto de não ser também apenas uma notícia mais ou menos e ser, em vista disso, inserida nesta categoria em concreto. Assim com’assim, é já daqui a nove anos.

O pior de Exterminador Implacável: A Salvação: confesso que, entre tanta ida ao futuro e questões sobre linhas temporais que possuem o condão exclusivo de me fazer doer a cabeça em segundos a tentar percebê-las, tinha a secreta esperança que Jonh Connor viesse a descobrir que era, afinal, o seu próprio pai. :(

 

Classificação: 5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

29
Mai09

Deixa-me Entrar

gana

 

 

Låt den rätte komma in


Ponto prévio para fazer notar que nunca se percebeu bem a razão para os vampiros terem tantos filmes e tanto culto à volta da sua imagem, ao passo que ninguém parece querer saber dos lobisomens; não se registando um filme decente destes indivíduos desde o “Lobijovem” - que, atenção, trata-se, inequivocamente, da melhor tradução de título alguma vez conseguida no espectro nacional da tradução de títulos de filmes. Além de não perceber a ostracização dos lobisomens, não me apresento como grande fã de filmes de vampiros – coloco a temática no lugar 77 do top 100 melhores temáticas cinematográficas, logo atrás de “filmes em que alguém afinal estava morto desde o princípio” e acima de “filme de helicópteros” -, tampouco como conhecedor profundo das criaturas em questão, mas acabo por ter que dar a mão à palmatória e louvar este filme a uma série de níveis. Portanto, Oskar, um rapaz solitário que, pelos vistos, é fã hardcore de Richard Clayderman, e que passa a vida a ser importunado por bullies, conhece Eli, uma pequena vampira que vive na Suécia, manifestamente um dos melhores países para se ser vampiro, sobretudo porque cheira-me que ao meio-dia já é quase de noite. Este filme lembrou-me que os vampiros não podem apanhar luz do sol, coisa que eu já não me lembrava bem, mas se pensasse com força até me lembrava sozinho. Luz das lâmpadas podem, não faz mal. Fiquei também a saber, graças a este filme, que os vampiros não entram em casa das pessoas sem serem convidados, o que, pese embora a questão discutível de se alimentarem de sangue humano, demonstra que são pessoas muito educadas. Cheira-me que seria gente para perceber na perfeição a dinâmica “deixar sair as pessoas antes de entrar” que tanta faltinha faz ao Metro de Lisboa, e isto desculparia de longe a parte de morderem pescoços, a meu ver. Outra coisa importante: os gatos não gostam mesmo nada de vampiros. Sei isto porque há uma cena em que um vampiro vai a casa de um homem que tem muitos gatos (não lhe deve chegar ser amplamente desprezado por um único, deve fazer questão em ser por muitos) e eles ficam todos assanhados e mordem-lhe. Não sei, contudo, qual é a posição dos gatos em relação a lobisomens. Devem ignorar, como fazem com 99,99% de tudo o que existe e acontece. Por fim, destaque para o facto de, apesar de terem vendido 600 milhões de discos, continua a parecer que não há uma única alma em toda a filmografia sueca que ouça ABBA.

 

O melhor de Deixa-me Entrar: os planos parece que são bons e a fotografia parece que é óptima. A vontade de comer neve é como deve ser sempre: agradavelmente considerável, sem nunca angustiar.

 

O mais ou menos de Deixa-me Entrar: cautela da grande! Não se pode fazer o truque “eh pá, vou só fechar um bocadinho os olhos, só mesmo um nadinha de nada, só para descansar a vista, e continuo a ouvir os diálogos, não perco nada, faço isto em quase todos os filmes”, que o filme é sueco e, quando damos por ela já o Saraband está no genérico final. Isto aconteceu-me com o Saraband e agora, neste filme de vampiros, não me lixaram.

 

O pior de Deixa-me Entrar: dar boa nota a este filme pode levar as pessoas a achar que aprecio outras bodegas com vampiros, nomeadamente a Buffy e aqueloutro filme que agora anda aí na moda entre pessoas sub-16 e sub-80, em termos de idade e Q.I., respectivamente.

Classificação: 7.5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

22
Mai09

Anjos e Demónios

gana

 

 

Angels & Demons

 

Comece-se por constatar o óbvio: é sempre uma tragédia quando, na tradução de um título do inglês nativo para o nosso léxico, se perde uma coisa tão fascinante como o “e comercial”. Se, no título original, Anjos & Demónios está assim, mais parecendo que se trata de sócios daquela loja de tatuagens que é daquela mulher toda tatuada que parece ser obrigatório entrevistar sempre que há uma bodega duma reportagem sobre tatuagens, então era deixar estar, não custava nada. Qualquer pessoa de bem e com as prioridades perfeitamente alinhadas, entra, portanto, logo de nariz torcido para ver este filme e com absoluta razão. Quanto à obra em si, pode-se dizer que foi beber acentuadas influências à sempre fascinante – e clássica, em termos de produção de má qualidade - fórmula do “perito em qualquer matéria estupidamente específica vê-se numa corrida contra o tempo para salvar a vida a um tigelada de inocentes, sendo que ainda encontra sempre tempo para, educadamente, explicar o seu raciocínio a todas as pessoas com quem estiver na altura, isto antes de sair a correr”. Sair a correr de, note-se, fato e sapatos – o ideal para correr na calçada romana – e para, repare-se, ir à procura de estátuas em Roma que estejam a apontar os dedos em alguma direcção e depois correr para lá à procura de mais estátuas; porque, pelos vistos, essa é a única forma de tentar salvar quatro cardeais raptados por uma organização secreta que não piava há quatrocentos anos. Esta complexa organização , que, vai-se a ver, e é composta por apenas um gajo e um colaborador (um assassino a soldo, cuja única razão para não matar o Tom Hanks parece ser “Eia, aquele é o Tom Hanks, caraças! Qu’é qu’ele ‘tá aqui a fazer?!?”), tem então os cardeais em cativeiro, mas tem ainda uma bomba que vai rebentar com o Vaticano inteiro, se não mesmo com grande parte de Roma. Enfim, há ainda as reviravoltas habituais, com os maus a serem os bons e vice-versa, mas o que realmente fica deste filme é o facto de ser pior que “O Código Da Vinci”, essencialmente porque este último já foi há muito tempo e ninguém se lembra o quão mau é. De lembrar que, quem chegar atrasado, não vê o Tom Hanks a nadar numa piscina às 5 da manhã e, a julgar pelos calções, em 1988.

O melhor de Anjos e Demónios: agora já sei usar as palavras “anagrama” e “ambigrama” numa conversa, embora não saiba o que querem exactamente dizer, sobretudo a segunda.

 

O mais ou menos de Anjos e Demónios: quando toda a gente pensava que a escolha de um novo Papa obedeceria sempre a regras extremamente rígidas e estanques há centenas de anos, eis que este filme nos mostra que qualquer moço de recados da estrutura do Vaticano pode chegar a Sumo Pontífice, desde que pegue numa espécie de super bomba que vai rebentar daí a cinco minutos, pegue num helicóptero, suba o mais que puder no céu até aquilo estar quase a explodir e se atire de pára-quedas, acertando com os joelhos e os pés na cara dum monte de pessoas quando cá chegar abaixo. Parece uma prova de candidatura complicada, mas até que compensa arriscar, uma vez que ser Papa é mesmo um dos melhores empregos (tem direito àquele carrinho de golfe todo blindado, etc.).   


O pior de Anjos e Demónios: Este filme mostra o que já se sabia há muito, que aqueles sistemas de segurança baseados em identificação de retina é meio caminho andado para um mau nos dar cabo duma vista. Não custava nada desenvolverem qualquer coisa relacionada com a identificação de mindinho, que não é preciso a ninguém e não se perde muito se os maus nos deceparem aquilo para entrar e roubar coisas importantes. Mindinho do pé, que da mão as pessoas ainda notam e comentam.

Classificação:
4.5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

14
Mai09

Cine Limpo

gana

 

 

Crítica da Semana

 

Star Trek (Star Trek)


Desenrola-se em pleno século XXIII ou XXIV, este filme de naves, que começa com aquela enfermeira do Dr. House em trabalho de parto e com o marido dela a esborrachar a sua nave grandona contra a nave escaravelhosa dos maus. Os vilões são uns carecas tatuados que parecem ter saído directamente do casting para o Mad Max, aquele que tem a Tina Turner ou um dos outros, e parecem ter um problema com qualquer povo que tenha cabelo, sobretudo aqueles onde só existe um único penteado para uma população de seis biliões de criaturas (sendo que, neste último critério, se inserem apenas os Spocks, tenham oito anos ou oitenta). De notar que se trata de uma obra audiovisual polvilhada de lutas q.b., ainda que, apesar de existirem armas super-avançadas, a grande maioria das entidades em confronto prefira andar à chapada e a apertar o pescoço. O Spock original, que vive numa caverna de gelo e mantém monstros gigantescos à distância recorrendo a um pau a arder, faz uma notável aparição, vindo do futuro, e mesmo a tempo de dar umas dicas ao gajo que faz de William Shatner em novo. Enfim, e não querendo estragar o filme a ninguém, resta acrescentar que o pai do William Shatner em novo morre, a mãe do Spock morre, o Spock anda a comer a moça que o William Shatner em novo também queria varrer, os maus rebentam o planeta dos Spocks com uma gota vermelha que suga tudo, o William Shatner em novo e o Spock entram na nave dos maus usando aquilo do teletransporte e vão buscar não sei quê que lhes permite não sei quantas, para além de, não esquecer, salvar um capitão dos seus que lá estava a dormir, e, no fim, a nave dos maus é estourada porque o mau diz que prefere ver o seu planeta explodir um milhão de vezes a ser ajudado pelo William Shatner em novo. É o que dá ser respondão. 

O melhor de Star Trek:
não meter nojo absoluto, uma característica que, hoje em dia, todos temos que valorizar cada vez mais.


O mais ou menos de Star Trek: os partos ainda parecem doer com’ó caraças, o que prova que o universo continuará a ser governado por homens. Num assunto não relacionado, dos nossos dias até aos das naves a evolução, em termos de soutiens será nula. 

 

O pior de Star Trek: se, como nos mostra o filme, no século XXIII ou XXIV ainda existir Nokia Tune, todo e qualquer avanço tecnológico foi em vão.

 

Classificação: 6/10

 

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Estreia da Semana


Anjos e Demónios


Sinopse: Depois de descobrir que a Amélie é da família de Deus, Tom Hanks volta a fazer do mesmo gajo que fez naquele outro filme baseado naquele livre famoso que toda a gente andava a ler no Metro aqui há uns cinco anos. Desta feita, há uma organização secreta a vingar-se da Igreja, liquidando padres, e o Tom Hanks fica amigo daquele actor que fez de drogado do Trainspotting e que depois fez de clone naquele filme d’A Ilha. Há um padre que tem uma pistola com silenciador e outro que usa um candelabro como arma. À partida, o padre da pistola com silenciador leva vantagem, mas nunca se sabe, que o do candelabro pode esperar que acabem as balas, escondido em esquinas ou cantos escuros, para depois atacar à traição. Isto, claro, se andarem sequer à bulha, embora tudo aponte nesse sentido. Referência última para o facto de a Amélie deste filme ser aquela actriz israelense que entrou no Munique e que era casada com o gajo que fez o Hulk e que não é o Edward Norton.


Estimativa de classificação: 5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

07
Mai09

Cine Limpo

gana

 

 

X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)

 

Wolverine era um garoto com febre em pleno Canadá do século XIX. Isto até ao dia em que um homem bêbado com barba à século XIX mata o seu pai com barba à século XIX num crime de natureza passional e Wolverine, com raiva incontida, vê saírem-lhe umas garras por entre os nós dos dedos e enfia-as com força no peito e arrabaldes do homem que acabara de matar o seu pai; que afinal não era seu pai, uma vez que o seu verdadeiro pai era o homem que ele acabara de matar com aquelas garras novas, o que, enfim, só mostra que a mãe era uma galdéria e quando se é galdéria acaba-se, inevitavelmente, com garotos a matar o homem com barba à século XIX que afinal eram o seu pai verdadeiro. Pouco depois, Wolverine e o bandido do seu irmão, e embora sejam canadianos, participam em todas as guerras em que os Estados Unidos já entraram – até ao Vietname, inclusive -, envergando ambos agora também uma barba à século XIX, isto até serem chamados para fazer parte duma força de elite composta por mutantes com super-poderes: um que é muito rápido com pistolas, outro que é muito rápido com espadas, outro que é muito forte, outro que faz subir elevadores até ao último andar, outro que é o gajo dos Black Eyed Peas, etc. Entretanto, chateiam-se todos no meio duma selva africana e o Wolverine vai trabalhar durante seis anos para uma serração nas montanhas canadianas, onde ganha 18500 dólares ao ano (quase 14 mil euros ao câmbio actual). A pacatez desta sua nova vida é interrompida pelos maus fígados do irmão, que só está bem a fazer ruindade, e Wolverine vê-se obrigado a metê-lo nos eixos, não sem antes correr todo nu desalmadamente até encontrar um celeiro e um casal de velhotes que o veste e alimenta, como é, de resto, habitual em idosos que encontram homens a correr pelados nas suas propriedades. Depois há uma luta numa ilha e os primeiros créditos são para enganar, que depois ainda há mais um bocadinho de filme.

 

O melhor de X-Men Origens: Wolverine: as barbas à século XIX. 

 

O mais ou menos de X-Men Origens: Wolverine: entre tanta barba à século XIX, há que lamentar que nem uma delas seja um cavanhaque.

 

O pior de X-Men Origens: Wolverine: quando se quer usar um twist básico de dinâmica “ah, afinal a namorada dele não tinha nada morrido, era um truque para coiso”, convém não mostrá-la no trailer a liderar um porradão de mutantes a caminho da liberdade.

 

Classificação: 4/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

30
Abr09

Cine Limpo

gana

 

 

Singularidades de Uma Rapariga Loura (Singularidades de Uma Rapariga Loura)

 

Uma rapariga, nem especialmente loura, está à janela com um leque – eventualmente um abano - inqualificável, que lhe cobre parte da cara, depois baixa o leque que, eventualmente, até será um abano, e vê um idiota de fato e barba mal semeada que baixa uma folha de papel A4 que também tinha à frente das fuças, enquanto, em off e com um sotaque do Porto, tem um diálogo num tom que parece gozo e/ou com uma cadência própria de atrasados mentais, daqueles que só reagem ao que acabaram de ouvir um porradão de segundos depois, diálogo esse que é interrompido por um sino – parece que é obrigatório ouvir-se sempre um sino, não sei – e por um plano da rapariga não especialmente loura a olhar, desta feita sem leque, apesar de o leque, agora já parecendo menos um eventual abano, regressar pouco depois, na mão da rapariga enquanto esta ouve o homem com barba mal semeada perguntar se a pode tratar por menina, o que me pareceu a altura ideal para deixar de ver e jogar serpente no telemóvel, tendo, no decurso deste hobby, ouvido zero “shhhsss’s”, pese embora o barulho dos meus graciosos dedos a tocar as teclas ser, objectivamente, digno de execução sumária; o que, enfim, diz muito, para não dizer tudo, sobre este trailer.

 

O melhor de Singularidades de uma rapariga loura: não se aplica.

 

O mais ou menos de Singularidades de uma rapariga loura: o Barcelona x Chelsea ficou zero-zero

 

O pior de Singularidades de uma rapariga loura: enquanto estiver em cartaz, vai-me obrigar a chegar sempre oito minutos depois da hora marcada para o filme que for ver.

 

Classificação: não/10

 

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The International – A Organização (The International)


É o enésimo filme de Clive Owen de - escusado será dizer - fato, sendo que, desta feita, o actor britânico se revolta contra um banco qualquer, achando que a organização de crédito em questão merece responder pelos crimes de conspiração e branqueamento de capitais, ou vice-versa/outras quaisquer que eu confundo com peculato porque, lá no fundo, é uma palavra que gosto muito de dizer em público. O banco em questão é luxemburguês, o que me remeteu logo de rajada para o Quim Machado, rudimentar defesa lateral de clubes primodivisonários das décadas de 80 e 90, que chegou a jogar como principal dínamo ofensivo, vulgo criativo/“número 10”, precisamente no campeão nacional do Luxemburgo, o Dudelange, tendo inclusive atirado uma bola à barra contra o Benfica, num particular de pré-época. Entretanto, tal como o Clive Owen, também todos os maus do filme usam fatos impecáveis, que é, como é sabido, a indumentária perfeita para andar a correr aos tiros no meio do Guggenheim - um museu, ao que parece. Amplamente curioso é o facto de Quim Machado, na foto que tem no informativo site zerozero.pt, também estar de fato. Estas coincidências arrepiam-me todo e hoje vou dormir de luz ligada, cheio de medo. A conta de electricidade é a dividir, por isso, tal como quando se pedem whiskeys duplos em jantares de turma, não me vou sentir muito culpado.

 

O melhor de The International – A Organização: Uma das cenas de tiros, das dezenas que existem no filme.

 

O mais ou menos de The International – A Organização: Uma das cenas de porrada, das dezenas que existem no filme.

 

O pior de The International – A Organização: Quim Machado até podia ter entrado, das dezenas de gajos de fato que existem no filme.

 

Classificação: 4.5/10

 

Crítico Cine Limpo

T.C.

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