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CENA

CENA

21
Ago09

Iogurte Mister Cimba

gana

 

Produtor: Mister Cimba

 

Colecção: Iogurteira Cimba Laser

 

Outras informações: Iogurte produzido em iogurteira, tudo a gosto (100%).

 

A sublime Iogurteira Cimba Laser

(que, enfim, até como objecto decorativo atinge níveis impressionantemente divinais)

 

 Avaliação: confesso que, quando me propuseram insistentemente que provasse o Iogurte Mister Cimba, fiquei, não só com um pé atrás, como também com o outro. Com ambos, portanto. Logo para começar, todo e qualquer crítico iogurteiro creditado e de renome sabe perfeitamente que as iogurteiras não conseguirão nunca ficar atrás de qualquer outra forma de produção. Segundo, porque a Mister Cimba é um nome que dispensa apresentações a todo e qualquer nível. E, de facto, esta excelsa marca de confiança não deixa, mais uma vez os seus créditos por mãos alheias. Caros amigos, preparem-se para, ao tomarem contacto com este iogurte Mister Cimba, todos os vossos sentidos ficarem acomodados num autêntico e absoluto éden. O aroma do Iogurte Iogurteira Mister Cimba começa por envolver o nosso olfacto como uma amante altruísta, disposta a satisfazer todos os nossos caprichos, mesmo aqueles que eram considerados uma nojice até há muito pouco tempo.

 

As cores, tão vibrantes que mais parecem saídas duma tela do seu pintor favorito, transportam-nos para um sonho lindo, do qual você jamais quererá acordar. No mesmo sentido, o nosso tacto é embalado pela fascinante frescura do iogurte Mister Cimba, que, paradoxalmente, consegue manter num épico auge toda sua potência em termos de gustação – facto que é, se não caso único, pelo menos extremamente raro, uma vez que os iogurtes muito frescos, todos frescos, costumam sofrer do congelamento do(s) seu(s) sabor(es). Com o Iogurte Mister Cimba, nada disto ocorre! Já que nele se fala, diga-se que, precisamente em relação ao paladar, pouco há a adiantar. Prepare-se apenas para ver provocada toda a sua capacidade de adjectivação.

 

Acredite: todo e qualquer adjectivo positivo será sempre redutor na classificação do gosto sobrenatural deste iogurte Mister Cimba. Urge que a Academia de Letras crie novos adjectivos! O iogurte Mister Cimba não pode ficar refém da simplificadora adjectivação por ora existente. Repare bem que até em termos de audição, estimulada pelo harmonioso som do toque singelo da colher com o iogurte, você ficará nas suas sete quintas. Cautela, mas é, que depois desse autêntico paraíso sonoro, corre o sério risco da sua música preferida passar a parecer um carro a apitar porque um outro carro em 2ª fila o deixou trancado. Em resumo, estamos perante algo que é muito mais que um iogurte. Algo onde tudo é superlativo, subsistindo ainda assim uma enigmática delicadeza enigmática. Ponha-se é a pau para tudo o que de bom tem esta vida lhe ir passar a parecer uma bela porcaria. O Iogurte Mister Cimba é a autêntica bambochata na sua boca!

 

Então e para lá do prazo de validade?

Se conseguir não comer logo todos, o que duvido seriamente, descanse, que os iogurtes Mister Cimba contém inovadores compostos naturais secretos que lhe permitem abdicar dum prazo de validade.

 

E em termos de nódoas?

O iogurte Mister Cimba não deixa nódoas. Toda a roupa à volta do bocado de iogurte Mister Cimba que deixou cair na sua indumentária é que vai parecer uma nódoa.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude? 

Não. Mesmo que use aquela coisa de medir o óleo do carro como colher, o iogurte Mister Cimba estará sempre na sua plenitude.

 

Nota final: 20

 

 

Crítico Prova Limpa

Jaime (hoje em colaboração com Mário Rui)

14
Ago09

Yofu Smooth Pêra & Pêssego

gana

 

Produtor: alpro soya

 

Colecção: Yofu Smooth

 

Outras informações: preparação fermentada à base de soja, enriquecida com cálcio e Vit. B2, B12 e C.

 

A soja e o pêssego foram inventados na China. A pêra foi em mais sitios.

 

Avaliação: trata-se, como bem saberão os meus reverenciados amigos, da estreia absoluta de um iogurte de soja aqui no Prova Limpa. Ora, logo de caminho, considero digno de nota declarar que este famoso tipo de grão apresenta, a meu ver, três grandes reveses: a) é complicado ser-se um fã ou simpatizante de soja sem parecer um daqueles maluquinhos fundamentalistas anti-tudo; b) tentando já a soja substituir a carne e o leite, a verdade é que pode muito bem vir a desenvolver também imitações de couro e haver, num futuro próximo, sapatos (sobretudo mocassins, cheira-me) e casacos de cabedal de soja, ocorrência que, com toda a certeza, levará a que a humanidade deixe de precisar de vacas e elas se extingam todas, coitadinhas; e c) substituindo-se a soja pelo leite, as pessoas não vão ingerir cálcio em quantidades de gente e terão muito menos força nos ossos, ficando a humanidade toda com aquela doença dos ossos de vidro daquele filme e bastando um safanão para, por exemplo, se partir um braço a uma criança, ficando-se sujeito a passar o resto da vida na prisão à pala da brincadeira, que, em boa verdade, partir um braço a uma criança é um acto de selvajaria extrema. São, convenhamos, factos a nunca descurar por inteiro, de tão preocupantes. Seja como for, dou a mão à palmatória: este iogurte de soja assumiu-se como uma agradável surpresa desde a primeira colherada. Cuidei que não fosse saber a nada, ou a cartão, por exemplo, mas não, sabe mesmo a pêra e pêssego, sobretudo a este primeiro fruto. Estando a pêra Morettini/Vitória a 0.99€ o quilo, ao passo que o pêssego Maracotão está a 1.39€ (dados dum site da Internet), é natural que assim seja e metam mais pêra no iogurte. Não levo a mal, é compreensível, e isto às vezes temos que ser uns para os outros. Em termos de iogurte que fica na tampa, uma surpresa que poderia ter sido catastrófica: não fica iogurte na tampa! Mas, calma, há iogurte da tampa, só que, ao retirar-se a dita, essa parte de iogurte cai serenamente para cima do resto do iogurte. Isto é positivo em que sentido? No sentido de, em alguns círculos, não ser muito bem vista a opção de lamber a tampa do iogurte, sobretudo se dinamizada por um adulto. Esta característica do Yofu Smooth, não só o safa de ser verberado socialmente como uma criatura de gamela que, apenas por mero acaso, até tem traços de civilidade, como ainda lhe permite a deleitação com a parte do iogurte da tampa. Embora seja acérrimo defensor do lamber-se efectivo da tampa, enquanto acto cultural e de formação de carácter, considero, de longe, ser muito mais triste quando alguém - por pressão de pares, apenas e só - se coíbe e uma tampa vai para o lixo com iogurte lá agarrado, do que quando a parte que costuma vir adjacente a essa mesma tampa se funde graciosamente com o resto do iogurte. Neste aspecto, o espaço para debate será, julgo, sempre bastante reduzido. Posto isto, de realçar que a nota final pode parecer pouco coerente com o que aqui se foi dizendo sobre este iogurte, mas é preciso notar que houve penalizações, sobretudo ao nível do nome Yofu poder muito bem ser um trocadilho entre Yogurt e Tofu e eu só ter percebido depois de horas a pensar nisso, reflexão que  teria sempre implicações a nível de implosão dos nervos.

 

Então e para lá do prazo de validade?

Parece que as pessoas que comem soja acham que os prazos de validade são apenas uma das infinitas artimanhas do capitalismo. Se achar que é o capitalismo que vem pessoalmente a sua casa meter azedo nos iogurtes, revolte-se e coma na mesma, mesmo que o frigorífico tenha estado no arranjo dois meses com o iogurte lá dentro. Se acreditar em prazos de validade, tenho a dizer que este produto da alpro soya se aguenta entre cinco (se tiver fome moderada) e cento e vinte dias (se tiver cheio de fome) para além do prazo definido na embalagem.

 

E em termos de nódoas?

A parte de pêssego deixa nódoa, mas a parte de pêra não. A probabilidade de deixar nódoa varia, então, entre os 23% e 44%. Uma percentagem relativamente baixa, bem sabemos, mas há que recordar que a nódoa de pêssego fica para sempre.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Uma colher que não tenha implicado a destruição de nada ou a exploração de crianças asianas. Coma com as mãos, portanto.

 

Nota final: 16

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

07
Ago09

Trufa

gana

 

Produtor: Nestlé

 

Colecção: Longa Vida Vidro

 

Outras informações: Sobremesa láctea refrigerada com chocolate

 

Uma fotografia que não faz jus ao quão lamacenta é a cor deste iogurte.

 

 Avaliação: antes de mais, um pequeno intróito para dizer que a trufa é um fungo que, há cerca de três mil anos, se transformou em iguaria com o único propósito de ajudar a distinguir mais facilmente um idiota de uma pessoa normal. De facto, a exemplo – ainda que a diferentes níveis - dos descapotáveis, das perfomances/instalações conceptuais ou da frase “o livro é sempre melhor”, também a trufa tem este fascinante poder, o de identificar rapidamente um idiota e com uma eficácia que roça os 100%. Não é, com efeito, muito longe desta dinâmica de reconhecimento de idiotas que a trufa de chocolate – o elemento principal do iogurte hoje em análise - é criada, uma vez que esta última pretende responder às necessidades de pessoas que gostavam de ser idiotas de corpo inteiro (como são os apreciadores de trufa, o fungo), mas que, ao fim e ao cabo, acabam por não o ser porque a trufa a sério é cara com'ó raio. Deverá a pretensão a esse estado ser mais condenável - por parte de todos nós, as pessoas normais que não andam por cá para meter nojo - que a verdadeira existência de um estado de profunda idiotice? Esse é um debate quasi-centenário que, em boa verdade, merece discussão em locais onde a ofensa gratuita e pessoal seja socialmente aceite e encorajada. Adiante. E, bem, posto isto, posso adiantar que este iogurte Trufa vem no clássico, e por aqui sempre aplaudido, copo de vidro, o que, sem grande margem para dúvida, é característica para, só por si, aumentar as expectativas. A questão é que este produto começará por deitar logo por terra quaisquer expectativas positivas que se pudessem ter erigido na psique do consumidor; e tudo porque a cor se apresenta como demasiado próxima da lama para não ter efectivamente lama, seja muita, seja pouca. De modo que a dúvida em tom de lamento “então mas eu comprei lama num copo de vidro?” persistirá, com toda a propriedade, na sua mente. Mas por pouco tempo! A consistência deste Trufa vem rapidamente em nosso auxílio e, estando muito longe de algo associável a lama e bem mais a mousse de pacote, acaba por ser revelar como absolutamente decisiva na destruição dessa incerteza. Ufa. A textura apresenta-se, de resto, como o ponto forte de tudo isto, sendo que isso se torna inequívoco quando chega a hora de rapar a embalagem, revelando-se aí o Trufa como um iogurte que se rapa fácil e naturalmente, sem grandes malabarismos ou ginástica. Esta característica é ainda mais louvável se nos lembrarmos que a parte de rapar a embalagem será sempre o calcanhar de Aquiles dessa mítica entidade que é o copo de vidro enquanto recipiente de iogurtes. Todavia, enfim, devo dizer que estamos perante um produto algo enjoativo, salvo apenas pelo copo de vidro, perfeito para servir de vaso a um pé de feijão que se queira criar em casa para aquela rapariga toda ecológica e em contacto com a natureza achar que afinal até temos muito em comum e nos mostrar o regaço durante uns tempos.

 

Então e para lá do prazo de validade?

Quando já der para germinar pés de feijão, aconselho a não comer. Pelo menos tudo.

 

E em termos de nódoas?

Deixei cair nas calças, mas vou deixar secar, para depois raspar com as unhas. Cheira-me que sairá facilmente. Prevê-se uma boa prestação deste Trufa nesse capítulo.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Nunca.

 

Nota final: 11

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

31
Jul09

Iogurte da avó (sabor a morango)

gana

 

Produtor: Milbona

 

Colecção: Iogurte da avó

 

Outras informações: preparado lácteo à base de iogurte com 20% de preparado de morango e 3,5 % de matéria gorda no leite

 

A carismática embalagem do Iogurte da Avó, aqui em estrangeiro.

Avaliação: se há coisa pela qual o mercado já há muito gemia, essa coisa seria necessariamente, e sem sombra de dúvida, um produto que rompesse com a associação de algumas iguarias à avó. Pessoalmente - mas também em termos gerais, enquanto representante de grupos sociais diversos -, sempre associei a figura da avó a enchidos, migas e a uns bocados de pão numa malga com café (conjunto alimentar que, ao que parece, não se chama nada sopas de cavalo cansado, pese embora eu, até circa 2003, ter achado que sim), de maneira que é com agrado que constato que uma simpática marca estrangeira resolveu criar o espectacular conceito que é este Iogurte da Avó. Este inovador produto coalhado destaca-se logo abundantemente a nível de embalagem: tem uma tampa a imitar aqueles frascos de vidro com doce caseiro – um bocado de pano, sempre com padrão quadriculado, e um cordel à volta a agarrar, ou lá o que é! Trata-se quase de um objecto decorativo, que nada fica a dever, em termos estéticos e de estilo “mania”, a coisas muito na moda, como sejam as lava lamps ou um puff. Para além disso, a tampa é muito fácil de lamber e tem uma textura muito agradável à língua, ainda que tenha que alertar para o facto de se revelar bem menos capacitada na funcionalidade "servir de colher ", o que, em caso de aflição ou de vontade nula para lavar uma colher, é uma chatice – e relembro os mais esquecidos da extraordinária capacidade que algumas tampas têm para serem facilmente moldadas em colheres de emergência. Uma pena, porque, em tudo o mais, é das melhores tampas que já tive o prazer de lamber. Ainda em termos de cobertura, nota para a discutível opção de ilustrar a mesma com uma avó da Neoblanc segurando uma colher de pau, e isto é discutível no sentido de se tratar de um utensílio de cozinha que cerca de 100% das crianças associam a porrada e não a saborosos iogurtes. Um pequeno faux pas, que até pode nem afastar assim tantos clientes garotos, mas, ainda assim, um faux pas. A embalagem, estilo copo alto e estreito, vem quase cheia, e aproveito para confessar que algum receio se apodera sempre de mim quando publicito um produto com uma muito valorosa relação qualidade/quantidade/preço (que, ao fim e ao cabo, é o que nos interessa a todos e permite que se diga que frango de churrasco é melhor que leitão). De facto, se as marcas percebem que estão a dar mais do que podiam dar, lá teremos nós mais uma vez o fenómeno Fruit & Yogurt *. É preciso cuidado com isso. Quanto ao iogurte propriamente dito, trata-se de mais um clássico “deux camadas” (no caso, de morango e de parte branca) , numa também clássica proporção de 1 para 5. As camadas são das mais fáceis de comer isoladamente, resultando igualmente bem quando mescladas – esta bivalência é mais rara do que se possa imaginar. Neste quadrante, deixo ainda uma preciosa dica: coma toda a parte de natas com preciosismo digno de um autista, e depois use o doce de morango que fica no fundo para fazer um belo pão com doce de morango. É um lanche completo, raios! Um pão com doce de morango e um iogurte, e pelo preço de apenas um iogurte e um pão! Notável. Como pontos menos positivos – que os há, que os há -, tenho que avançar com o facto de ficar demasiado doce, se o consumidor optar por meter açúcar neste Iogurte da Avó. Recordo que a colocação de açúcar extra acontece mais por uma questão cultural (desculpa para usar perante figura feminina com poder para nos sentir culpados) que por lambarice pura (realidade masculina para, na verdade, se colocar mais açúcar), logo, haverá sempre quem o faça. Fica o alerta, mas um que não belisca por aí além esta categoria de iogurte. Aproveite para ligar à sua avó, agradecendo, ou então ralhando, por nunca ter feito um iogurte destes.

 

 

Então e para lá do prazo de validade?

Mantém grande parte das suas qualidades, se optar por comer à volta do bolor que se criará após uns dois, três meses pós-prazo de validade. Se não optar por comer apenas à volta do bolor, ainda degusta algo qualitativamente acima de mais de 30% dos iogurtes no mercado. Pode compensar.

 

E em termos de nódoas?

Péssimo, que sujei-me todo e esfregar só espalhou ainda mais. Tive que vestir uma camisola por cima da t-shirt cheia de nódoas e fiquei cheio de calor, sujeito a desmaiar. Em relação a nódoas nas calças, não sei, que comi em pé e, após sujar a t-shirt, todo inclinado para a frente.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Sim. Colher de sobremesa Tramontina.

 

Nota final: 17

 

*O “Fenómeno Fruit & Yogurt” diz respeito a toda e qualquer mudança brusca em termos de quantidade, sempre num sentido negativo, de determinado produto. Basicamente, ocorre quando, por exemplo, um gelado ou chocolate começa a trazer menos ou a ser mais pequeno. Este fenómeno foi baptizado de “Fruit & Yogurt” quando, há uns anos, esta famosa sobremesa da Macdonald’s deixou de ser bem aviada, servida num copo de imperial (daqueles de plástico, à festival de Verão) para passar à actual versão, que traz manifestamente menos e dá vontade de, enfim.

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

24
Jul09

Aloé Vera

gana

 

Produtor: Emmi

 

Colecção: Sensitive Yogurt

 

Outras informações: Iogurte meio gordo com 10% de Aloé Vera

 

 

A icónica embalagem deste Aloé

Vera, que quase passava por uma

de margarina, natas ou até de banha de porco, ideal para fazer canja.

Avaliação: não se tenham rodeios! O grande destaque  incide, já se percebeu, no carismático composto de aloé vera, substância em torno da qual se têm erguido, desde há bastas calendas, diversos factos de teor essencialmente dúbio. Não bastando o título, a própria embalagem faz alusão directa aos benefícios do aloé vera, lembrando, por exemplo, a circunstância de Cleópatra recorrer à planta no seu programa diário de beleza e bem-estar. Logo ela, que parece que era toda gostosa. Vale o que vale, sobretudo na medida em que também se diz que um tal de banho diário em sémen seria decisivo na sua estonteante formosura e jovial tez, um rumor que só pode estar pejado de autenticidade. Além disso, e para dar ainda mais força às suas capacidades unas, parece que uma gaja medieval qualquer importante teceu grandes elogios ao aloé vera na sua cartilha de plantas medicinais a ter em conta, recomendando precisamente o género presente neste iogurte. Como na Idade Média nem se tratavam constipações com sanguessugas nem nada, acho que sim, que é de confiar nos palpites desta tipa e encharcarmo-nos todos em Aloé Vera. Erigida a indispensável contextualização histórica do componente primordial deste iogurte, há que dizer que estamos na presença de um produto que faz grande alarde da sua componente mínima de matéria gorda. Pelo que até aqui se assinalou, o leitor já terá percebido que este iogurte levanta, na sua mais basilar essência, um problema de maior: não o vai poder comprar para a sua namorada; a não ser que queira que ela pense que você acha que ela está gorda e/ou feia e vá chorar para o quarto, para depois você perguntar “o que foi” e ela dizer que “não foi nada”, mas é claro que foi, você comprou um iogurte que lhe chama gorda e feia, seu quadrúmano. A compra efectiva terá que partir dela, tenha lá cuidado com isso. Se for você a comprar para ela, mais vale não arriscar e comprar um Choco Gourmet ou assim. De resto, este Aloé Vera: Sensitive Yogurt é cremoso, embora de densidade próxima da do iogurte líquido; quiçá até perigosamente próxima (elemento a rever). Manca-lhe, portanto, alguma estrutura, isso parece-me óbvio. Registo para a agradável surpresa causada pela existência de alguns pedaços, não sei se de aloé vera, embora se pressuponha que marquem presença neste iogurte quanto mais não seja para enganar as pessoas que se questionam “onde é que estão os meus 10% de aloé vera” e que não acreditam na tese do “isso agora vem tudo triturado, Paulo”. Sou da opinião – polémica, pelo que percebi em conversas informais com outros especialistas – de que os registos florais não só não se insinuam, como são praticamente inexistentes, limitando-se a um considerável travo a limão. Ora, esta característica (o saibozinho a limoeiro) poderá levar a pessoa a pensar que o aloé vera sabe a limão e, consequentemente, a perder dinheiro em apostas ou, no mínimo, a fazer figura de urso em festas/convívios. Dispensava-se a confusão, confesso. Como apontamentos finais, aproveito para salientar a embalagem demasiado fina – uma pessoa até tem medo que aquilo se parta tudo na nossa mão, palavra de honra , que aflição -, o que, acabando por ser coerente com a requintada souplesse que vem sempre de braço dado com todo o iogurte, tende para fazer alguma confusão a nível mental. Enfim, de uma leveza que o torna ideal para sobremesa de quem comeu que nem um bovino de cobrição, neste iogurte deve-se destacar ainda a inusitada frescura, mas não sei até que ponto grande parte desse mérito não deverá ser directamente associado ao frigorífico onde esteve.

 

Então e para lá do prazo de validade?

Aguenta-se bastante bem, embora, caso seja daquelas pessoas que abre a embalagem, come um bocadinho e volta a guardar para se lambuzar mais noutro dia, eu tenha que alertar para o facto de o iogurte, numa segunda prova, ter provavelmente aquele característico sabor de frigorífico (uma mescla de verduras datadas, gelo de couvette com água da torneira e enchidos vários, que podem ir desde ao salame à mortadela). 

 

E em termos de nódoas?

Não só não deixa nódoa, como a roupa onde cair vai parecer que foi lavada há segundos atrás. Pelo menos em calças.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Não.

 

Nota final: 13

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

17
Jul09

Choco Gourmet

gana

 

Produtor: Monte Ravy

 

Colecção: Gourmet

 

Outras informações: sobremesa de natas batidas com cobertura de creme de chocolate e avelãs (88%)

 

A embalagem tipo-balde-elegante

de Choco Gourmet

 

Avaliação: com uma definição indecisa e de textura visualmente um tudo-nada lodosa, este produto tenta tocar graciosamente o melhor de dois mundos: o dos garotos, com a sua faceta Choco, e o dos adultos pretensiosos, com a sua marcada essência Gourmet. É bom notar que estamos perante um clássico pós-pasto composto por duas camadas. A saber, uma maior, a de chocolate, no topo; e outra mais ligeira, de nata, no fundo. Ambas gourmet, bem entendido. Um dos pontos positivos que logo se destaca é o facto de este produto ter sugestão de apresentação na tampa, o que se consolidará sempre como auxílio decisivo para todas aquelas pessoas sem grande formação ao nível da refeição de requinte. Contudo, poderá sempre rebelar-se e optar por rejeitar essa sugestão de apresentação – que, já agora, recomenda que se ocupe cada colherada com 80% de chocolate e 20% nata (valores indicativos, a olho) –, comendo primeiro só o chocolate e depois a nata ou vice-versa, embora esta segunda hipótese seja mais trabalhosa. A opção de comer uma das camadas sozinha sempre foi alvitrada apenas a indivíduos de estômago forte, sendo, em princípio, desaconselhada a garotos. Todavia, não sendo nada incomum um garoto querer fazer o que não deve, deixe-o comer o chocolate todo primeiro à vontade e só depois a nata. Depois, quando ele se vier queixar de dores de barriga, não o deixe jogar o  seu segundo videojogo preferido (caso tenha optado por criar os seus filhos segundo cânones mais modernos) ou dê-lhe uma firme chapadona (se prezar uma educação tradicional e austera). A intromissão das notas de avelã é que acaba por ser revelar como demasiado ténue, ainda que esta desilusão acabe por ser, em parte, compensada pelo facto de a tampa ser fácil de lamber e vir pouco sabor metálico à boca. Na verdade, tenho que o dizer, estamos na presença de um produto que nunca se sentenceia. Se, por um lado, e a título de exemplo, a sobriedade do seu creme o comprazerá em momentos de carência afectiva, por outro, a sua embalagem de 200 gramas, sensivelmente o dobro de qualquer prato principal de gourmet, fá-lo-á sempre desconfiar das suas verdadeiras intenções. Apesar de tudo, considero que Choco Gourmet tem o essencial para ser servido numa festa de prova de vinhos, queijos ou sushi, sendo, nos seus melhores dias, até funcional e ideologicamente capaz de substituir qualquer um destes elementos. O seu maior inimigo será sempre, em qualquer latitude, as altas expectativas que sobre ele recairão.

 

Então e para lá do prazo de validade?

Sendo Gourmet, este iogurte tem tudo para, tal como um queijo ou vinho gourmet, ficar ainda melhor conforme o tempo por ele passe e acaricie como só o tempo sabe. Recomendo que aguente uns meses de affinage e se delicie com um postre provavelmente mais complexo, valoroso e dotado de notas mais puras e definidas.

 

E em termos de nódoas?

Não sei e você também nunca saberá se comer como um homenzinho. É gourmet, caramba, tenha tino!

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Qualquer uma que transpire classe e primor.

 

Nota final: 12

 

Crítico Prova Limpa

Jaime

10
Jul09

Iogurte com pedaços de Cereja Burlat

gana

 

Produtor: Yoplait

 

Colecção: Pomar da Yoplait

 

Outras informações: batido com pedaços de Cereja Burlat, meio gordo (1,5%)

 



Cerejas Burlat, dentro duma cesta, disfarçando o facto de não existir  foto do iogurte propriamente dito.

Avaliação: a embalagem, sendo demasiado homogénea, não deslumbra, limitando-se a cumprir, algo esforçadamente; todavia, de núcleo semi-cerrado, ainda que dotado de uma agradável cor rosa murcho, este iogurte acaba, em termos de aspecto, por se destacar sobretudo devido à finesse das pinceladas de Cereja Burlat. Em termos de aroma, não se esperem grandes surpresas, uma vez que, conquanto bastante agradável, este iogurte limita-se a cheirar a iogurte de cereja. Na boca, parece-me bastante proporcionado, com um muito delicado rácio de número de pedaços/resto do iogurte, pecando, neste particular, apenas por apresentar pedaços quiçá demasiado grandes, o que poderá fazer confusão a algumas pessoas. De resto, convém frisar que, a olho nu, os pedaços de Cereja Burlat poderão parecer passas, uma percepção muito comum em garotada com dificuldades de aprendizagem. Comum será, portanto, também o amuo por não se querer comer um iogurte de passas, apesar de cheirar, parecer e saber a Cereja Burlat. Não insista com o catraio, e deixe-o crescer com problemas de falta de cálcio e sem ter degustado convenientemente este belo iogurte. Mais sobra, coma você. Finalizando, tempo para referir que se trata de um iogurte algo “quente”, o que nos leva a recomendar o seu consumo nos meses mais frescos, lembrando-se ainda que, neste caso concreto, será de bom-tom lamber a tampa de alumínio - revelando-se como um profundo connaisseur ao nível do carismático dogma “a parte que está na tampa é sempre a melhor”. Pode não ser sempre, mas, neste Iogurte com pedaços de Cereja Burlat, é acção da qual decerto não se arrependerá.

 

E como é após o prazo de validade?

Ao 6º dia pós-prazo de validade, começa a parecer um pouco azedo, mas uma pequena colher de açúcar aligeira a sensação.

 

E em termos de nódoas?

Algo rebelde se caído numa peça de roupa de cor alva. Cautela considerável.

 

Há uma colher ideal para uma degustação em toda a sua plenitude?

Não me parece relevante, ainda que recomende a colher de grilo, meramente por uma questão de pretensiosismo.

 

Nota final: 17

Crítico Prova Limpa

Jaime

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